O PEC do governo e a tentativa de condicionamento de António Costa

Passos e CostaO Plano Nacional de Reformas e do Governo causou reacções contraditórias a jornalistas e comentadores. Afirmam alguns que se trata de um plano “suicida” em termos eleitorais, uma vez que estende a austeridade até 2019. Dizem outros que o primeiro-ministro demonstrou grande “coragem” e “rigor” e isso pode ser premiado eleitoralmente, uma vez que os portugueses sabem agora o que poderão esperar de um governo do PSD.

Comum a quase todos é a ideia de que o Plano apresentado por Passos Coelho corresponde ao  programa eleitoral da coligação  PSD/CDS, pelo que António Costa ficou agora “obrigado” a apresentar alternativas, isto é,  se Passos diz que é preciso cortar 600 milhões nas pensões, Costa terá  de dizer onde vai buscar os 600 milhões se não cortar nas pensões. O mesmo relativamente à reposição dos salários dos funcionários públicos e assim por diante. Isto é, os jornalistas e comentadores acham que António Costa tem de responder ao programa de Passos em vez de apresentar o seu próprio programa.

Parece evidente que a estratégia do Governo, ao apresentar o seu Plano dias antes de Costa apresentar o  cenário macroeconómico do programa eleitoral do PS, contou com o condicionamento pavloviano de jornalistas e comentadores que se deixaram contaminar pela agenda política do governo. Se as propostas de Costa não derem “resposta” ao Plano do governo, este  continuará a dizer que o PS não tem alternativa e os jornalistas e comentadores também.

No fundo, o que a opinião dominante quer de António Costa não é que apresente uma nova visão e novas políticas para o País, isto é, uma verdadeira alternativa. O que pretendem é que ele parta das assunções do Governo e aceite como bons os objectivos do Governo. Ora, uma alternativa é partir de outros pressupostos, possuir outros objectivos e encontrar  caminhos para os atingir.

António Costa precisa de inverter a lógica mediática que leva os jornalistas e comentadores a seguirem a agenda governamental e partirem dela como dado único de discussão e comentário. Costa tem de impôr a sua própria agenda, isto é, ser tão claro e rigoroso na apresentação das propostas do PS que leve jornalistas e comentadores a discutirem essas propostas e não as respostas que eles querem que Costa dê às propostas do governo.

 

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2 respostas a O PEC do governo e a tentativa de condicionamento de António Costa

  1. jorge diz:

    Ja da outra vez os jornalistas queriam era saber se o dr Sampaio ia dar o mergulho ao Tejo ou não.
    Porque o senhor que nos entretem aos domingos ,no Jornal das oito,, o desafiou para isso á laia de quem diz::
    -Se nao te atiras ao rio nem és homem nem és nada..
    Mas f….u- se mergulhou sozinho nos cagalhotos do tejo

  2. cristof9 diz:

    Apoiado. Mas que não seja tão original como o do Syriza que como vemos vai dar com os burros na agua. O receio é justificado pois o d. sabastião Costa no primeiros momento ficou entusiasmado com a resposta dos democratas gregos que iam vergar os outros 450 milhoes de pseudo deocratas europeus não gregos.E como tristemente temos que reconhecer parece que era exagerada a esperança.

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