Exercício teórico em torno de uma capa

jornal i professor racistaUm bom exercício para uma aula  de jornalismo seria perguntar qual é o valor notícia desta manchete.

Alguns responderão que é o facto de o protagonista ser  professor de uma universidade pública e  assumir-se publicamente como racista.

Outros, comentarão que essa situação não tem valor notícia dado o professor ser um desconhecido sem poderes decisórios e, nessa medida, as suas ideias não terem interesse público (racistas há muitos, dirão).

Outros, depois de lerem a peça que sustenta o título ,responderão que o valor-notícia resulta de o professor racista ter sido “descoberto” e citado nos media por duas figuras mediáticas: o deputado do PSD Duarte Marques e  Francisco Louçã. Nessa medida, as  ideias racistas do professor tornaram-se mediáticas porque foram citados por duas figuras políticas

Outros, dirão que o valor notícia reside no caracter sensacionalista das citações assinaladas a amarelo, por provocarem no leitor uma reacção de choque, repulsa e curiosidade, o que  levará a comprar o jornal.

Outros, mais “legalistas” e “éticos”, criticarão a opção do jornal, de dar destaque de capa a afirmações  racistas e xenófobas tratando o caso nas páginas interiores como se se tratasse de um simples “fait-divers”, sem questionar o que verdadeiramente mereceria ser aprofundado, isto é, o facto de um professor se permitir, ainda que num blog pessoal, fazer a apologia de ideias que afrontam os valores de uma sociedade plural e anti-racista.

Outros, ainda, teriam escolhido para capa do jornal, em vez das afirmações racistas do professor, um comentário de colegas ou responsáveis da universidade onde tão sinistra criatura tem lugar como professor.

Como se vê, muitos factores podem entrar na escolha de uma capa…

 

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3 respostas a Exercício teórico em torno de uma capa

  1. nuno diz:

    se é jornal tem primeira página e não capa. isso da capa é coisa de revistas

  2. manuel.m diz:

    “Ainda que num blog pessoal?” Os comentários são moralmente repelentes, constituiem crime publico, e um Professor tem uma responsabilidade acrescida, como acrescida deve ser a sua censura. Já agora defina “blog pessoal”. Será aquele onde o seu autor não é responsavel pelo que escreve ?

  3. J. Madeira diz:

    Sem dúvida é alguém que procura notoriedade, usando a sua liberdade
    de dizer o que lhe apetece agora, deplorável é a ligeireza dos “políticos”
    que contribuiram para o efeito desejado pelo profe!

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