Leandro e Armindo, castigo sem crime

jovem absolvidoLeandro, um rapaz de Chaves, de 17 anos, em prisão preventiva há quase  ano e meio, acusado de abuso sexual de duas crianças  na instituição onde se encontravam, foi hoje absolvido por falta de provas. Segundo a RTP, o juiz  decidiu in dubio pro reo isto é, na dúvida, a favor do réu.

Durante o julgamento, Leandro negou os crimes e disse ainda ter sido ameaçado e agredido pelos inspetores da Polícia Judiciária (PJ) para confessar.

Não é a primeira vez que sabemos que há arguidos que confessam crimes que não cometeram porque são coagidos pelas autoridades policiais através de métodos de violência verbal ou física. Alguns resistem mas outros não e, vergados, confessam, como foi o caso de Leandro e, há alguns meses, de Armindo Castro, 29 anos, libertado depois de cumprir 2 anos e 7 meses de uma pena de 12 anos de prisão,  condenado pela morte da tia, um crime confessado por outro homem.

Podemos não acreditar que estes jovens tenham sido alvo de violência por parte de agentes da justiça. Porém, às vezes é através da ficção que melhor chegamos à realidade.

Como dizia o juiz de instrução ao jovem estagiário na série francesa  – “Um crime, um castigo”Um crime um castigo – em exibição na RTP2, “se não arrancar a verdade, jamais a obterá.”

O problema coloca-se então em saber se ao tentar “arrancar” a verdade a justiça não “arranca”  antes uma mentira e  condena um inocente.

Leandro e Armindo poderiam ser protagonistas de uma série televisiva. Em vez de “Um crime, um castigo”, chamar-se-ia “Um castigo sem crime”.

 

 

 

 

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4 respostas a Leandro e Armindo, castigo sem crime

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  3. Ou então é “Crime sem Castigo”.
    Crime da Justiça que fica sem castigo 1

  4. JRoodrigues diz:

    O resultado teria sido o mesmo se o Sexta às 9 tivesse optado por enfatizar os indicios da acusação em lugar de explorar as dúvidas da defesa ? Admitamos que sim, mas mesmo nesse caso sobra-me outra questão : depois de casos destes, como é que ainda há quem diga, sem se rir, que confia na justiça ?

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