Uma verdadeira reforma estrutural

O projecto de programa eleitoral apresentado pelo PS é inovador não apenas na forma como, sobretudo, no conteúdo. António Costa foi capaz de resistir à pressão mediática e jornalística para que dissesse o que iria fazer em quase todos os sectores da governação, imediatamente após ter chegado à liderança do PS. Os jornalistas queriam respostas “em concreto”, como afirmavam, ou então passariam a dizer, como disseram, que “Costa não diz nada”, “Costa não tem ideias”, discurso que viria ser cavalgado pela maioria PSD/CDS.
Costa resistiu e provou que tinha razão. A metodologia que escolheu revela-se adequada e representa um salto qualitativo em relação ao que vinha sendo feito até aqui pelos restantes partidos e pelo próprio PS.

O projecto de programa eleitoral do PS contém uma filosofia e uma visão da acção governativa tal como António Costa a encara, que na situação em que o País se encontra representa uma verdadeira reforma estrutural. Mais do que medidas avulsas, daquelas que dão títulos de jornais, o projecto estabelece regras claras para orientação do governo em sectores fundamentais. O capítulo “Governar melhor, governar diferente” revela-se particularmente importante na medida em que toca aspectos nevrálgicos que nunca foram identificados, muito menos equacionados, com tanta clareza em programas eleitorais.
Como seria de esperar, o debate político-mediático que se seguiu à apresentação do projecto surgiu eivado do cinismo habitual: se antes António Costa era acusado de não ter ideias, agora as ideias são citadas no discurso jornalístico como “promessas” palavra que em contexto eleitoral possui forte conotação negativa. Procuram-se “recuos”, relativamente a este ou aquele aspecto, sempre desvalorizando-os e nunca indo além de um “sim…mas” ou de um “quanto custa?”.

O discurso mediático tal como o discurso parlamentar não discutem ideias nem aprofundam conceitos ou visões do País e do mundo. Incapazes de uma reflexão sobre problemáticas e de uma análise aprofundada das propostas apresentadas, ficam-se pelo imediato e pelo episódico, a que chamam o “concreto”.

É bom que o PS e António Costa mantenham o caminho traçado. A inquietação revelada pela maioria e pelos seus apoiantes perante cada documento apresentado pelo PS é bem reveladora da dificuldade que têm em ir além da espuma das coisas e do debate do dia.

(Artigo publicado hoje no Acção Socialista Digital)

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