Os maniqueistas do jornalismo e do comentarismo nacional

Há em Portugal um certo jornalismo e um certo comentarismo que tem da relação entre política e justiça uma visão maniqueísta:  num dos lados – o da justiça – só há bons; no outro – o da política – só há maus.

Os maniqueístas do jornalismo e do comentarismo não admitem críticas a membros ou decisões da justiça. Para eles, criticar a justiça é defender os “corruptos” da política e interferir na independência de juízes, magistrados e polícias.

O caso Sócrates veio agravar esse maniqueísmo, por exemplo, com jornalistas a tomarem como suas as “dores” do juiz Alexandre, “vítima” dos “maus”, obrigado a fazer “striptease”da sua vida  privada. O projecto de programa eleitoral do PS veio também assustar os maniqueístas do jornalismo e do comentarismo que se puseram aos gritos nos jornais: “ai Jesus, que o PS quer controlar a justiça”.

Criticar ou questionar a justiça tornou-se para os maniqueístas do jornalismo e do comentarismo um crime de lesa-pátria. O que dirão os maniqueístas deste artigo, publicado hoje  no jornal i, da autoria de um magistrado do Ministério Público, António Cluny, actual presidente do Eurojust, um dos maiores críticos do governo de Sócrates enquanto presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, que vem agora dizer que há no sector da justiça coisas que merecem discussão, análise crítica e reflexão?

Cluny sobre série RTP 2Faço minhas as palavras de António Cluny, até porque eu própria já tinha assinalado aqui o interesse e actualidade da série da RTP2. Recomendo, pois, aos maniqueistas do jornalismo e do comentarismo que sigam o conselho do magistrado António Cluny: vejam a série “Um crime, um castigo” e se não perceberem alguma coisa procurem alguém que possa ajudá-los.

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