A justiça e os “poderosos”

RTP Ventinhas procurador acusa ministraO presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, a propósito do diferendo com a Ministra da Justiça sobre o estatuto dos magistrados do MP,  fez hoje declarações gravíssimas, independentemente das razões que lhe assistam relativamente às reivindicações remuneratórias e de carreira. E são declarações graves porque elas acentuam uma evidente politização do Ministério Público (MP) que parece ter abandonado  uma visão estritamente jurídica do trabalho do MP, erguendo-se a um nível de transcendência, imbuído de um poder quase divino para punição  “dos poderosos deste país”. Vejamos as palavras do procurador António Ventinhas, presidente do Sindicato dos Magistrados do MP: (no Telejornal, a partir dos 16’00) “(…) O Ministério Público está a realizar investigações criminais que afectam muitos poderosos deste país. Existem manobras  para tentar condicionar  essa actividade.  O ministério da justiça pretende chamar a si o controle do MP, ou seja, o  poder político está a tentar evitar que essas investigações cheguem a bom porto.  Os magistrados mais experientes estão a sair do DIAP.  A criminalidade económico-financeira está a ser entregue em muitos casos a pessoas com 2 ou 3 anos de carreira…(…)” Face a estas declarações, a Procuradoria-Geral da República está obrigada a esclarecer quais são, e quem as pratica, “as manobras” que tentam “condicionar a “investigação dos poderosos”. denunciadas pelo procurador António Ventinhas. Também o governo é visado pelo Procurador quando se refere ao “poder político” que “está a tentar evitar que as investigações cheguem a bom porto”.  Esta noite, outro “poderoso” foi detido: Armando Vara.

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4 respostas a A justiça e os “poderosos”

  1. Pingback: A ministra, os magistrados e a pergunta do jornalista: “Confiar em quem?” | VAI E VEM

  2. cristof9 diz:

    Será uma denuncia a ser bem investigada pelos media. A receio que já se verificou vezes de mais é que o sindicato tenha a sua agenda própria e que tira força e desacredita o assunto. Lembro-me das denuncias da lista de notaveis do fisco ,das intervenções do sindicato dos professores ou das organizações da saúde com uma agenda própria que envergonha a verdade.

  3. J. Madeira diz:

    Na minha opinião, estamos perante uma tentativa de judicialização da Política por
    parte de alguém escudado na função de presidente de um sindicato que não tem
    justificação para existir, desde que a Constituição da República entrou em vigor!
    Que há magistrados a fazer política creio não haver dúvidas, porque a converseta
    dos poderosos, não passa de uma cortina de fumaça para disfarçar a incompetên-
    cia manifestada pelo Ministério Público em muitos casos que abortam no Tribunal!!!

  4. Vivemos actualmente num Portugal de coincidências.
    Vejam lá que nunca houve tantas coincidências como as que ocorrem neste caso Sócrates!
    No dia a seguir ao debate do Estado da Nação (que correu mal ao governo), a seguir a sondagem que da o PS a descolar 5 pontos percentuais a frente nas intenções de voto e com 65% a dizerem que acham que o PS vai ganhar, com a prespectiva da Grecia conseguir a reestruturação da dívida por força de os EUA apoiarem Tsipras contra as políticas loucas da extrema-direita Nazi, na própria noite em que Anfíbio Costa da uma entrevista a TVI,…coincidentemente temos a detenção de Armando Vara !
    E porque Armando Vara e não o presidente da CGD ou o gestor da CGDteve e tratou directamente do crédito da CGD ao empreendimento ? O Vara também tem conta na Suíça ou foi detido apenas por ser a presa mais fácil (por ser do PS, por ser amigo de Sócrates, e por já ter uma condenação previa por convicção dos justiceiros) e compor melhor o ramalhete na opinião pública?
    Segunda pergunta: quando e que começam a prender os actuais ministros que assinaram negócios ruinosos nas privatizações (conforme atesta o tribunal de contas), ou isso e exclusivo para o Vara ?
    …a partir daqui começamos a estar próximos de coisas muito graves, vem-me a ideia coisas como fraude eleitoral, golpe de estado, etc ….

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