Os cidadãos e os políticos

António Costa TVI novo programaAntónio Costa foi o primeiro convidado do novo programa da TVI – “Tenho uma pergunta para si” – moderado por Judite de Sousa, um formato com a presença de público,  no qual, para além das perguntas da moderadora, alguns elementos do público fazem também perguntas ao convidado.

Numa segunda parte, José Alberto de Carvalho assegura apenas na TVI24 as respostas do convidado às perguntas dos telespectadores. Numa terceira parte, também apenas na TVI24, há um espaço para debate e comentários de jornalistas, com Paulo Magalhães como moderador.

O formato é idêntico ao que a RTP experimentou nas últimas eleições autárquicas, com o título “O País pergunta”, mas a que não deu continuidade. A TVI introduziu agora uma inovação técnica, permitindo aos telespectadores fazerem uma pergunta através da hashtag #perguntacosta e comentarem através das hastags: #costabem; #costamal.O formato é

É muito positivo que a TVI transmita no seu canal generalista, em sinal aberto e em horário nobre, um programa político.  Segundo a própria TVI, este foi o programa informativo mais visto esta quinta-feira nos três canais generalistas e, na televisão por cabo, a TVI24 liderou nos canais informativos. Eis, pois, uma prova de que os portugueses não estão alheados da política.

O sucesso do formato depende muito das perguntas do público que participa no programa e das perguntas que faz ao convidado. António Costa teve uma boa prestação, com respostas coerentes nas áreas em que foi questionado. Foram precisamente as perguntas do público presente no estúdio que lhe mereceram o comentário que viria depois a ser motivo de reacção e reflexão dos próprios jornalistas. Disse António Costa que os jornalistas não costumam fazer-lhe aquelas perguntas que  são  também as perguntas que lhe fazem na rua.

António Costa tem razão. As pessoas comuns pretendem respostas aos problemas com que se confrontam no seu quotidiano e no das suas famílias  e não estão geralmente interessadas nos assuntos que preenchem as agendas políticas e jornalísticas.

O objectivo de um cidadão comum quando tem na sua frente um político candidato a primeiro-ministro, ou um primeiro-ministro, não é, naturalmente, fazer perguntas a pensar se elas vão dar bons títulos de jornais ou se vão “entalar” ou “atrapalhar” o político, forçando-o a assumir compromissos para lhos “cobrar” mais tarde.

Também a atitude do cidadão comum não é a igual à que é adoptada pelo jornalista que entrevista o político, este habituado a  contactos frequentes com  políticos.

No debate que se seguiu às perguntas dos cidadãos e dos telespectadores às respostas de António Costa, os jornalistas-comentadores da TVI24 acharam que as perguntas dos cidadãos a António Costa foram em “tom simpático”, como se isso fosse uma coisa negativa. Também queriam de António Costa respostas “vibrantes” que, aliás, o formato não favorece porque os cidadãos presentes no programa não estão a pensar nas audiências.

 

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