Papagaios

papagaios-animais-silvestresO texto que escrevi aqui sobre a publicação da fotografia de Laura Ferreira junto do seu marido, Passos Coelho, numa cerimónia oficial, que as revistas dizem ser a primeira fotografia de  Laura Ferreira desde que adoeceu,  provocou comentários extremados de jornalistas, publicados nos jornais onde escrevem, a que resolvi não responder por considerar que esses comentários são completamente desajustados relativamente ao meu texto, além de se constituírem eles próprios como uma exploração demagógica do drama que atinge Laura Ferreira.

As reacções desses jornalistas merecem em si uma reflexão sobre o funcionamento do espaço mediático em Portugal. Como sabemos, a imprensa portuguesa vive em crise estrutural permanente e explora à exaustão tudo o que possa dar polémica para assim aumentar as vendas. Digo-lhes daqui que foram os seus comentários, e não o meu texto, a insrumentalizaram a doença de Laura Ferreira.

Um editorial de Ana Sá Lopes no jornal i, o único a que respondi no Facebook, deu o mote para um conjunto de seguidores da área do jornalismo. Cito de memória, Manuela Moura Guedes, João Miguel Tavares, Eduardo Cintra Torres, Henrique Monteiro, Fernando Esteves, foram os mais assanhados no ataque à minha pessoa. Ao lê-los, pensei para os meus botões: “cobardolas, usam os jornais onde escrevem para atacarem um texto a que os leitores não tinham acesso sem, ao menos, citarem o link para  quem os ler poder ajuizar por si.” Escolheram um terreno onde falam a sós, sem réplica. Um desses escribas acusa-me, no Expresso, de querer “protagonismo”, imagine-se, e vai daí dá-me ele próprio nesse  jornal o protagonismo que não deu a outros que escreveram sobre a mesma fotografia….vá-se lá saber porquê (eu sei).

Outros jornalistas, mais comedidos, preferiram criticar o tema sem  citarem o meu post, mas era fácil perceber que nem o leram, e que se baseavam apenas no que outros membros da “corporação” haviam escrito antes: Clara Ferreira Alves, Nuno Saraiva, até o professor Marcelo, arranjou um espaçozinho na TVI para uma dica.

O que este caso revela, que não constitui, aliás, surpresa, é a cacofonia do espaço público, em que os jornalistas se mimetizam uns aos outros, como papagaios, cada um tentando superar os outros no ataque e na deturpação. Casos houve em que o comentador do meu post sentiu necessidade de se demarcar de uma suposta simpatia pelo primeiro-ministro para vir em defesa do direito de Laura Ferreira de não usar peruca. Como se  isso ou qualquer crítica a Laura Ferreira estivesse em causa no meu texto!

 

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11 respostas a Papagaios

  1. As suas opiniões sobre a minha pessoa e sobre as minhas posições públicas estão impregnadas dos seus fantasmas e por isso prefiro distanciar-me delas sem as comentar. Não frequento a sua página nem os seus programas. Neste caso, foi mais um dos demagogos a manipular o meu escrito e por isso o incluí no cômptuo.

  2. Eduardo Cintra Torres diz:

    Vejo que me chama “cobardolas”, com uma superficialidade inacreditável. De facto, faz exactamente aquilo de que me acusa, e a outros: não coloca o link para o texto em que me referi ao seu inacreditável texto. Como indica José Couto Nogueira, é profundamente ridículo usar como argumento a não indicação de link. Enfim, vejo que se enterra mais de cada vez que escreve sobre o assunto. Quanto ao insulto que me dirige (mais um): como sempre acontece, os insultos colam-se a quem os profere.

  3. josecoutonogueira, a verdade é que a grande maioria dos críticos não citaram, descontextualizaram e deturparam. Acho até que não leram, leram as críticas e isso lhes bastou.

  4. josecoutonogueira diz:

    Estrela, tem razão em muito do que diz – sobre os “ataques” – mas de facto não era preciso os colegas publicarem o link, desde que citassem o que disse. Alegar que os leitores não têm acesso à sua página é um pouco ridículo; hoje em dia toda a gente tem acesso a tudo. Bastava uma pesquisa rápida na net para aqui chegar.
    Quanto ao mérito da questão, só lhe ficava bem aceitar que não foi muito feliz nos seus comentários; acontece com toda a gente, mesmo com os mestres. Porque, mesmo esquecendo ou desvalorizando as suas declaradas preferências políticas, há que reconhecer que a sua alegação de que Passos Coelho, ou alguém por ele, usou a Laura para ganhar simpatia é impossível de provar e cai no campo que está a criticar, precisamente.

  5. Jorge Fernando Pinheiro diz:

    Os seus textos constituem uma das poucas reservas morais que encontro na blogoesfera.
    Peço-lhe o favor de não dar demasiada importância ao lixo intelectual que grassa na maioria dos media nacionais.

  6. vm diz:

    Não havia necessidade de humilhar os papagaios. Abutres, talvez, porque fazem lembrar a podridão de que se alimentam para sobreviver.

  7. cristof9 diz:

    Talvez seja ajuizado reflectir sobre tanta crítica; se possível tire as lentes coloridas que por vezes usa; não é provável, que estejam tantos errados, ao mesmo tempo!

  8. Maria Helena diz:

    Olá ESTRELA,
    continue a ser Livre e com Memória, a muita desta “gente” falta Ontem…
    Helena/Cascais

  9. J. diz:

    Portugal, dizem, é uma aldeia. Mas, pior que ser aldeia, talvez seja o facto dos aldeões copiarem-se a si próprios e replicarem inutilidades.E também não me refiro à Laura, cuja dor respeito.
    Meia dúzia de jornalistas empertigados utilizam o espaço público para zangaram-se em si, a ver qual mais importante!
    Entretanto, o Povo,aqui na província, na aldeia, labuta e “está-se nas tintas” para essas merdas.

  10. Amilcar Gomes da Silva diz:

    Não posso estar mais de acordo consigo. São papagaios amestrados, mas desafinados. Escrevem sobre textos que lhes dava jeito terem sido escritos, mas na ânsia de agradar ao patrono esfarrapam-se a ver quem inventa mais sobre o que nunca foi escrito. Assim vai o jornalismo em Portugal.
    .

  11. J. Madeira diz:

    Estão bem definidos maior parte deles são COBARDOLAS e,
    engraxadores encartados, não se assumindo!!!

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