Ricardo Salgado e José Sócrates: dois pesos e duas medidas?

Casa de Ricardo SalgadoA prisão domiciliária de Ricardo Salgado, com vigilância permanente às duas portas da sua residência, causou perplexidade nos meios de comunicação social que, mal a decisão do juiz Carlos Alexandre foi conhecida, procuraram obter explicações ouvindo  juristas e outros especialistas que juntaram a sua perplexidade à daqueles que os ouviam. Enquanto isto, representantes sindicais da Polícia de Segurança Pública, responsáveis da vigilância a Salgado, vieram queixar-se de falta de pessoal, dos elevados custos da medida e dos prejuízos que a decisão do juiz traz à segurança dos cidadãos da área de Cascais.

A comparação entre a prisão domiciliária de Salgado, sem pulseira electrónica, e a manutenção da prisão preventiva de José Sócrates por ter recusado a pulseira, aplicadas pelo mesmo juiz tornou-se inevitável sem que, contudo, o juiz, ou alguém por ele, viesse explicar o critério que justifica a diferença.

Veio depois o Público revelar que o Ministério Público não queria a prisão domiciliária de Ricardo Salgado, o que a Procuradoria-Geral da República confirmou acrescentando que pediu apenas que o ex-banqueiro ficasse proibido de se ausentar do país e de contactar com algumas pessoas. A decisão foi pois exclusivamente do juiz Carlos Alexandre que assim faz jus à sua fama de “homem poderoso“.

Ora, ao privar os cidadãos de conhecerem os fundamentos da aplicação a Ricardo Salgado de uma medida de coacção que, segundo os especialistas, raramente é aplicada, como é o caso de colocar polícias à porta em vez da habitual pulseira electrónica, a justiça, neste caso o Tribunal de Instrução Criminal e o juiz Carlos Alexandre, dá mostras de uma enorme arrogância e desrespeito pelo direito dos cidadãos à informação.

A credibilidade da justiça é um requisito essencial à sua legitimação e aceitação pelos cidadãos, sem o que  se torna difícil  acreditar que os magistrados  agem sempre com rectidão, independência, neutralidade e impessoalidade, no interesse da sociedade e da realização da justiça.

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6 respostas a Ricardo Salgado e José Sócrates: dois pesos e duas medidas?

  1. Pingback: A prisão de Salgado e o comunicado que nada comunica | VAI E VEM

  2. Cristo, naturalmente que não se pode comentar o que se desconhece. Quando se diz “dó agora é que…” isso significa que só quando são abrangidas personalidades públicas os media reportam o acontecimento. Por isso deviam ser as autoridades da justiça a informarem sobre o que pode ser dito e o que não pode por estar em segredo. De contrário sabemos só o que os media nos dizem e estes dizem muitas vezes o que à justioça convém que se diga…

  3. cristof9 diz:

    Há opiniões que me parecem, devotadas ao fracasso; no exemplo presente por muito que se queira levar a sério( o exigir do direito a info) esbarra na decisão do mesmo juiz, que duas semanas antes, tinha decidido levantar as restrições mais gravosas, ao suspeito Barroca, sem que as vozes ofendidas agora se ouvissem sequer sussurrar!! Não mudem de oculos não!!

  4. Penso que os juízes estão-se a borrifar para o que os cidadãos pensam dela. Começo a não acreditar na Justiça em Portugal e é grave, por haver mais pessoas como eu

  5. j.azevedo diz:

    com esta diferença de tratamento,apetece-me dizer que o super juiz se rendeu ao grande capital.

  6. Subiu-lhe à cabeça o poder e talvez tenha dado um tiro num pé.

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