A justiça não pára de nos surpreender

Salgado detidoCarlos Alexandre quer Ministério Público com mão mais pesada

Ao decidir colocar Ricardo Salgado em prisão domiciliária – quando o Ministério Público apenas pediu que o ex-presidente do BES ficasse proibido de se ausentar para o estrangeiro e de contatar outros arguidos do processo – o juiz Carlos Alexandre quis, segundo fonte judicial, deixar claro que não concorda com a estratégia que tem sido seguida pelos procuradores, sobretudo a relacionada com as medidas de coacção a aplicar aos suspeitos em processos com forte repercussão pública.”

Eu estava convencida de que as penas aplicadas às pessoas suspeitas ou acusadas de crimes se baseavam na aplicação da lei, independentemente  de quem são essas pessoas. Aquela velha frase  “a justiça é cega”, lembram-se? Pois, pelos vistos, não é bem assim e a justiça está mesmo a mudar.

A crer na peça do Diário de Notícias a que pertence o excerto acima publicado, as penas dependem de os suspeitos serem ou não figuras mediáticas e do “respeito” que manifestam perante o procurador e o juiz. Se são figuras “com forte repercussão pública” (leia-se políticos ou banqueiros) levam pena pesada. Se ainda por cima mostrarem “falta de respeito pelas autoridades”, estão tramadas.

Esta filosofia atribuída ao juiz Carlos Alexandre é interessante do ponto de vista teórico porque não só contraria a ideia  de que “a justiça é cega”, como nega a imparcialidade e neutralidade dos magistrados face  às influências do mundo social, tornando-os sujeitos a constrangimentos e pressões sociais, cujas decisões dependem da visibilidade dos suspeitos e da repercussão pública dos processos.

Uma tal visão da justiça daria aos media a capacidade de dizerem quem deve ou não ser objecto de “mão pesada” da justiça. Bastaria dar-lhe visibilidade.

É caso para dizer que a justiça não pára de nos surpreender!

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Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Jornalismo, Justiça, Política, Sociedade, Sociologia dos Média com as etiquetas . ligação permanente.

3 respostas a A justiça não pára de nos surpreender

  1. A.M. diz:

    Em compensação, ES não nos surpreende… Sursum corda!

  2. jpferra diz:

    surpreender e assustar

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