“Saco de palavras”

saco-de-serapilheira-16956900A imagem do “saco de palavras” usada por António Costa para resumir o programa eleitoral da coligação PSD-CDS é, em linguagem popular, “bem achada”. De facto, lendo o programa da coligação, encontra-se apenas um conjunto de intenções sem quantificação, sem metas temporais e sem enquadramento. Não há um balanço dos últimos 4 anos, parece até que a coligação não tem passado.

Um programa assim não permite uma discussão séria, sobretudo quando do lado do PS existe um programa quantificado e calendarizado. Mário Centeno, o economista que coordenou o “cenário macro-económico” do PS, afirmou, sobre o programa da coligação, “que se pode estar perante autênticas “bombas atómicas”, por exemplo, no caso do plafonamento das pensões. precisamente pela impossibilidade de avaliação dos custos das intenções anunciadas.

É certo que a campanha eleitoral não é o melhor momento para o aprofundamento dos programas eleitorais, vivendo sobretudo de sounbites e do habitual folclore das chamadas arruadas ou da apreciação da performance dos candidatos. Os comentadores repetem-se uns aos outros e, não raramente, a realidade não tem nada, ou tem pouco, a ver com as suas análises.

Acresce a tudo isto o descrédito das sondagens que resulta em grande parte da pouca fiabilidade das amostras, fenómeno verificado não apenas em Portugal e que se deve muito à falta de dados oficiais e sistematizados sobre a posse de telemóveis, como mostra um excelente artigo publicado hoje na revista Visão.

Ora, as sondagens são um importante indicador para orientação das estratégias eleitorais dos partidos, e também dos media, que muitas vezes as instrumentalizam para valorizarem ou desvalorizarem propostas e líderes.

Não custa a crer que as sondagens que têm sido publicadas em Portugal não correspondem à situação real dos partidos. Contudo, elas funcionam como meio de pressão sobre os portugueses, induzidos a pensar que não vai haver maioria absoluta de nenhum partido, que a coligação e o PS estão empatados e que os novos partidos não contam, etc., etc..

Os dois meses que se aproximam vão ser tempo de “massacre” de palavras, na maioria dos casos, como disse António Costa, “sacos cheios de palavras”.

 

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Uma resposta a “Saco de palavras”

  1. cristof9 diz:

    Prudente não tecer muito das sondagens. A porra das estatisticas, não andam a ajudar o dao sebastião Costa; ele são as vendas de carros, ele são o desemprego que não sobe; nada como ser prudente, para que não aconteça como a desgraça das revisões da troika, que chumbavam todas

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