A propósito de presidenciais

Foto José Sena Goulão

Foto José Sena Goulão

Lendo as notícias sobre os candidatos presidenciais – os já anunciados e os potenciais – verifica-se que o critério mais valorizado parece ser o da “visibilidade” de cada um deles. Lêem-se e ouvem-se coisas do género: Sampaio da Nóvoa é pouco conhecido; Maria de Belém tem a vantagem de ser conhecida; Marcelo é o mais popular; Santana Lopes tem popularidade nas revistas sociais; Rui Rio só tem visibilidade no norte do País; Henrique Neto é conhecido apenas no meio empresarial;  e assim por diante….

Dir-se-à que a visibilidade é condição de sucesso para qualquer candidato. E, de facto, na sociedade mediática em que vivemos assim é. Ora, a visibilidade é conferida em grande parte pelos media e não se adquire de um momento para o outro mas sim ao longo do tempo. Quando os media dão espaço mediático como comentadores a alguns políticos e não a outros,  estão eles próprios a garantir meio sucesso a esses políticos como potenciais candidatos a lugares electivos, seja para lideranças partidárias, para o Parlamento ou para a Presidência da República.

Este critério é depois transposto para as sondagens, que passam a incluir nas perguntas aos inquiridos os nomes com maior visibilidade mediática, excluindo outros pouco ou nada mediáticos.

Nos media, as capacidades dos candidatos, avaliadas com base no que fizeram no passado e nas suas qualidades pessoais, confrontadas com os poderes do Presidente da República, praticamente não entram na discussão, quando deveriam constituir a sua base principal.

Com a hipotética candidatura de Maria de Belém passou-se de certa maneira isso mesmo. É conhecida, foi presidente do Partido Socialista, foi comentadora da SIC e da Antena 1, ministra de Guterres, administradora da Teledifusão de Macau, consultora do BES, além de cargos enquanto parlamentar. Com Sampaio da Nóvoa esquece-se o currículo em áreas fundamentais como a educação e alude-se à sua inexperiência política, reduzida esta à pertença a partidos. Com Rio invoca-se a sua função como presidente da câmara do Porto e o difícil relacionamento com os media. Com Marcelo, os seus comentários na televisão, a liderança do PSD e, menos, a sua qualidade de professor de direito.

Porém, não se discute a capacidade dos candidatos para estabelecimento de consensos, diálogo com forças sociais, relações internacionais, cultura geral e cultura democrática, firmeza de convicções e de caracter, frontalidade e coragem, entre  outras características necessárias ao exercício do cargo de Presidente da República.

Porque razão um dirigente ou ex-dirigente partidário há-de estar, à partida, melhor preparado do que um académico ou um escritor ou um diplomata, para ser presidente da República? Tendo em conta os poderes de um presidente o que distingue Marcelo de Rui Rio? Sampaio da Nóvoa de Maria de Belém? O que sabemos, relativamente a cada um deles, sobre a sua isenção, rigor, sentido de justiça e de equidade na tomada de decisões ou de equidistância relativamente aos partidos políticos?

Era bom que  estas e outras variáveis fossem consideradas na avaliação dos candidatos e que os media questionassem os preconceitos e os estereótipos em vez de os acentuarem.

 

Advertisements
Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Política, Presidenciais, Sociologia dos Média com as etiquetas . ligação permanente.

3 respostas a A propósito de presidenciais

  1. Helen diz:

    “não tem perfil
    para o exercício da função presidencial”, Escreve o J.Madeira. os portugueses são uns pândegos… que tal colocar a senhora de frente?
    Helena/Cascais

  2. Concordo, J. Madeira, os partidos não deveriam envolver-se e deixar os candidatos mostrarem o que valem. O problema é que os candidatos precisam de uma “máquina” e de dinheiro….

  3. J. Madeira diz:

    Tem toda a razão nos aspectos que foca para a eventual escolha de um
    Presidente da República! Acontece que, para agravar a situação sendo
    a candidatura individual os partidos políticos deveriam ter mais modera-
    ção na intromissão em escolhas … Cavaco só foi presidente porque o
    PS se dividiu por duas candidaturas com culpas de seu S.Geral Sócrates!
    A ser verdadeira a candidatura de Maria de Belém corre-se esse risco,
    até porque, a senhora apesar dos muitos desempenhos não tem perfil
    para o exercício da função presidencial, no meu modesto entender!!!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s