É significativo que uma redacção inteira escolha a procuradora-geral como a pessoa mais poderosa do país

caras do poder

A redacção da TVI elegeu  Joana Marques Vidal, procuradora-geral da República, como a pessoa mais poderosa do País, dando-lhe a seguinte pontuação: 5 pontos (nota máxima) no critério Poder Formal – conferido pelo cargo; 5 pontos no critério Influência – conferido pelo poder de lobbie, poder da popularidade e poder de influenciar a opinião pública; 4 pontos no critério Durabilidade – poder que resiste e que sobrevive à mudança de outros poderes; 1 ponto (nota mínima) no critério Património – poder do dinheiro.

O juiz Carlos Alexandre também integra o ranking em 20.º lugar e o procurador Rosário Teixeira em 28.º. Tal como Joana Marques Vidal, ambos obtiveram da redacção da TVI a nota máxima no critério Influência e a nota mínima no critério Património.

Como primeira conclusão deste exercício, temos que as personalidades mais poderosas no campo da justiça possuem grande  influência porque o cargo lhes confere popularidade, poder de lobbie e poder de influenciarem a opinião pública. A mais poderosa destas figuras é a Procuradora-Geral da República que é também a mais poderosa de um grupo de 30 nomes de todas as áreas.

Sabemos que o poder judicial é um dos três poderes do Estado de Direito, para além do poder executivo e do poder legislativo. Porém as “qualidades” que levaram a redacção da TVI a eleger estes três magistrados como “poderosos” correspondem precisamente a características que deverão ser evitadas num magistrado, por serem contrárias à realização de uma justiça isenta, rigorosa e independente. Um magistrado não deve tentar influenciar a opinião pública, não deve fazer lobbie nem procurar popularidade, devendo mesmo evitá-la. Além de que o poder dos magistrados não é, ou não deve ser, um poder próprio, individual. Ele é um garante da legalidade democrática e do respeito pela lei. Não é, ou não deve ser, uma estrela de televisão nem um “garganta funda” de jornalistas, muito menos deve exercer influência sobre a opinião pública.

Outra conclusão resultante da aplicação dos critérios da lista dos poderosos da redacção da TVI é a de que o “poder de Influência” dos magistrados eleitos” é directamente proporcional ao seu diminuto Património. Isto é, pobres mas influentes e poderosos. Uma mistura “perigosa”.

Uma última conclusão consiste no facto de os eleitores-jornalistas desta lista de poderosos terem a percepção  de que os magistrados – Joana Marques Vidal, Carlos Alexandre e Rosário Teixeira – são “poderosos” não por serem competentes, discretos, rigorosos, independentes (critérios não considerados na avaliação) mas sim influentes, populares e duráveis.

Não será perigoso viver num país assim?

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5 respostas a É significativo que uma redacção inteira escolha a procuradora-geral como a pessoa mais poderosa do país

  1. llopes49 diz:

    Concordo com o Sr. J. Madeira e revejo-me nas palavras do Sr.José Neves ,mas eu sou muito modesto.

  2. Meu “amigo” Pinto Monteiro? Essa é boa…
    Retribuo enviandp uma entrevista do “seu amigo” Carlos Alexandre: https://www.youtube.com/watch?v=Zo8Ml8_zdiY

  3. cristof9 diz:

    As caracteristicas da justiça devem ser, não procurar popularidade nem influenciar a opinião publica; precisamente o que o Juiz C. Alexandre e J.Marque Vidal, tẽm feito agora e durante a suas longas carreiras na justiça. Compare com o seu (amigo) Pinto Monteiro e a quantidade de entrevistas que dava.

  4. jose neves diz:

    Claro, uma estaçaõ de TV para mais uma estilo tvi só podia escolher uma ideia sobre os mais “poderosos” medida pela bitola do “espectáculo” que proporcionam ao pagode.
    A tvi é seriamente clara no seu entendimento do que é ser poderoso, hoje, em Portugal como já se constatava nas suas anteriores escolhas.
    A “pimbalhice” começou como graça entre o povão, penetrou nas universidades a martelo e por essa via na ascendente classe média como paródia, depois foi tomada como instrumento ideal de manipulação de formação cultural pelo entretenimento e acabou tomando conta do governo e aparelho do Estado.
    A própria noção de Estado de Direito caminha aceleradamente para uma ideia de democracia pimba.

  5. J. Madeira diz:

    Nem outra coisa seria de esperar da redacção da TVI, os critérios serão aqueles
    mais ou menos usados no “Big-Brother” que tanta audiência lhes proporciona !!!

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