Portas literalmente “aos papéis”. Catarina ao ataque

Catarina Martins ataca com as pensões, Portas devolve com 'desastre' gregoO debate Paulo Portas-Catarina Martins mostrou um Portas com o discurso esgotado, sem chama, impante de “importância”, como alguém que participa no debate a partir de um patamar superior. Durante quase todo o debate tratou Catarina Martins como “senhora deputada”, tentando assim anular a condição em que ali estavam: dois candidatos a deputados.

Era de esperar que Portas não deixasse de confrontar Catarina com a Grécia. Do princípio ao fim do debate a Grécia surgiu a propósito de tudo e de nada. Visivelmente, Portas fugiu o mais que conseguiu a falar da governação, abusando do discurso da “casa a arder”, da “bancarrota”, do “sindicato dos credores” e tudo o que a coligação tem dito há 4 anos. Não foi capaz de explicar a questão do plafonamento das pensões, recusou apresentar contas, perdido entre os papéis que tinha sobre a mesa. Ficou-se por aquilo em que é mestre: a pose, os gestos, o fechar de olhos, a voz emproada…

Do outro lado, uma Catarina Martins aguerrida e bem preparada, em certos momentos parecendo uma metralhadora, disparando números, perguntas, críticas. Portas claramente desprezou a força oratória de Catarina que devia aliás conhecer das suas intervenções no Parlamento.

Como sempre acontece, nem Portas nem a moderadora, Ana Lourenço, perguntaram a Catarina como resolveria o BE as questões sobre as quais  ela questionou Portas. E esse é problema: o Bloco tem excelentes candidatos mas ninguém espera que cheguem ao governo porque eles próprios se excluem de qualquer entendimento. Confrontar o BE apenas com o exemplo da Grécia não chega porque Catarina assumiu que não concorda com o plano de austeridade que o Syriza aprovou para a Grécia. Mas é preciso conhecer a alternativa do Bloco.

Perguntar, neste caso, quem ganhou o debate não tem sentido porque os cidadãos que se identificam com cada um dos partidos que Portas e Catarina representam não os vêem como alternativa. Mas se algum ganhou foi Catarina porque foi mais segura e acutilante com resposta para tudo, questionando mais Portas do que Portas a questionou a ela.

(Fotografia © Carlos Manuel Martins/Global Imagens)

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4 respostas a Portas literalmente “aos papéis”. Catarina ao ataque

  1. nuno diz:

    Enquanto Professora de Comunicação Social sabe perfeitamente como é falsa a proposição “BE exclui QUALQUER entendimento”. No debate com Jerónimo, Catarina Martins foi cristalina a explicar ao paquete Vitor Gonçalves a pergunta que deve ser feita. “Deve perguntar-se o que está o PS disposto a fazer para ajudar o país e não o que está a Esquerda disposta a fazer para ajudar o PS”.

    Pode questionar (eu não questiono já que voto por aí desde que Guterres não me convenceu e antes de fugir dando lugar a um Governo de futuros criminosos de guerra) se o que PCP e BE querem ajuda realmente o país, mas isso é toda uma outra questão. Tal como a pergunta é posta por Estrela Serrano e por outros simpatizantes e militantes do PS só se pode responder como Catarina Martins respondeu ao hop boy da RTP.

    Entenderá Estrela que se PCP e BE estivessem realmente abertos a QUALQUER entendimento com o PS, seriam exactamente o mesmo partido e não fazia sentido existirem. Na linha de Vitor Dias, respondendo ao neo-liberal Correia de Campos, partidos parasitas não são nem BE, nem PCP, mas sim o PS que lhes quer utilmente (para si) parasitar os votos para se manter ou chegar ao poder desprezando reais diferenças políticas.

  2. Enquanto for neste estilo de quem ataca mais e mais forte e chorar pelo leite derramado ,,não convencem ninguém ,,,só os que comem na mesma gamela e que estão contentes, pois sabem que o teem garantido ,enquanto nos ,,,,patetas andamos preocupados em votar ,ou se devemos ou não,, votar ,,,fica tudo na mesma LAMENTAVELMENTE

  3. Augusto diz:

    O BE não exclui entendimentos, exclui é prosseguir com esta política de austeridade , que o Tratado Orçamental impõe . A pergunta que deve colocar ao PS é : Está o PS disponível para constituir um governo de ESQUERDA ?

  4. cristof9 diz:

    O problema grego é mesmo o que mais preocupa os nossos analistas e tudologos. Eu como cidadão comum acho um gozo ver os da “politica” a discutir amendoins, para se entreter; acho que o pouco prestigio que gozam ainda fica mais de rastos com problemas de lana caprina destes. Para o CDS é simples, agora para o BE, que precisa de ganhar eleitorado são tiros nos pés; vão manter os mesmos liricos que já votaram, se tanto.

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