“…e pimba”, diz Paulo Portas, numa campanha que está a tornar-se… pimba!

EXpresso campanha eleitoralEste excerto de uma peça do Expresso Diário, da autoria da jornalista Cristina Figueiredo é um bom exemplo do tipo de campanha que Passos Coelho e Paulo Portas estão a fazer e a que as televisões têm dado grande destaque. Como se sabe, as campanhas são organizadas pelos estrategas a pensar na cobertura jornalística, em particular na televisão. Passos e Portas foram aconselhados a “marcar” António Costa como se se tratasse de um desafio de futebol, e daí que o discurso de ambos seja invariavelmente de ataque ao líder do PS, explorando à exaustão o programa do PS para a Segurança Social.
Hoje, porém, o tiro saiu-lhes pela culatra quando Passos, todo inchado, se gabou de ir fazer um  pagamento antecipado de 5,4 mil milhões de euros ao FMI em 15 de Outubro. Ora, o reembolso dos 5,4 mil milhões não se destina ao FMI mas resulta de uma obrigação do Tesouro que vence nessa data. Passos confundiu os investidores com o FMI.  Mandou depois rectificar mas os repórteres não deixaram passar a gaffe.

Claro que este tipo de lapsos acontecem a todos mas quando se anda atrás dos outros à procura de pretextos para fazer uma campanha de ataques acontecem destas.

O problema de uma campanha como aquela a que estamos a assistir é que ela afasta ainda mais aqueles que já não pensavam ir votar. E entre os que pensavam votar talvez haja quem pense se valerá a pena sair de casa no dia 4.

De facto, para que serve uma campanha que dá dos líderes tão triste figura? Para quê gastar tempo e recursos para andar a percorrer o país a dizer baboseiras? Ou será que os líderes dizem coisas úteis e substanciais e são os repórteres que não as captam e só mostram as pimbalhices? Será que os critérios jornalísticos não contemplam a separação do trigo do joio? Ou não há trigo, só há joio?

Se este circo diário, repetido de hora a hora em rádios e televisões, durasse apenas uns dias talvez se aguentasse. Mas assim, arrastando-se desde há meses, vai ser difícil que a abstenção não venha a ser maior do que esperado. Em vez de servir para esclarecer e motivar os cidadãos, a campanha está a deixar  mais negativa a imagem dos políticos e dos partidos.

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2 respostas a “…e pimba”, diz Paulo Portas, numa campanha que está a tornar-se… pimba!

  1. Manojas diz:

    Pode ser que tenha razão e que muitos cidadãos deixem de ir votar pelos motivos que aponta, mas se assim for, e possivelmente é isso que vai acontercer, é porque esses cidadãos, uns por estupidez outros por ignorância, emprenham perguiçosamente pelos ouvidos. Já era tempo dos cidadãos saberem separar o trigo do joio, pela sua própria cabeça.

  2. cristof9 diz:

    Quase todos colaboram no circo; basta ver o que até comentadores independentes fazem ao calarem as propostas e iniciativas dos pequenos partidos. Nem existem nem dizem “nada”. Isto se lermos os tudologos e pensarmos que espelham a realidade.

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