Um ministro com vocação de pregador ou de angariador de seguros

O novo  ministro da Administração Interna, teve o seu baptismo de fogo na  visita que fez às inundações que atingiram o Algarve quando, perante os repórteres, quis ser um político diferente. Saíu asneira. Para o ministro, a falta de seguro em Albufeira “é uma lição de vida” e o  homem que morreu em Boliqueime “entregou-se a Deus”.

Calvão da Silva  tão depressa parecia um pregador  – “Deus nem sempre é amigo” – como um angariador de seguros –  “quem não tem seguro, aprende em primeiro lugar que é bom reservar sempre um bocadinho para no futuro ter seguro”. Estas estranhas declarações tiveram o efeito esperado: embora o ministro beneficie do facto de ter acabado de chegar e tudo indicar que depressa voltará às lides académicas, os jornalistas não deixaram passar e Calvão da Silva não se livrou da ironia de uns e da chacota de outros. As redes sociais, menos tolerantes, cilindraram o ministro.

Calvão da Silva deve estar a pensar como é diferente ser ministro hoje e ser Secretário de Estado nos idos anos oitenta em que ocupou funções no IX Governo Constitucional como  Secretário de Estado Adjunto do Vice Primeiro Ministro, Mota Pinto.  Era então um apagado “ajudante” com pouca ou nenhuma visibilidade. Tornou-se entretanto um académico respeitável, apesar daquele parecer atestando a idoneidade de Ricardo Salgado para continuar a dirigir o BES  depois deste ter recebido 14 milhões de euros  do construtor José Guilherme. que Calvão da Suilva considerou ser apenas uma  “liberalidade”.

Portas deve ter-se rido com  a estreia “cristã” do ministro e Passos Coelho deve  pensar que felizmente não vai ser necessário substituí-lo. Mas se tivesse que o fazer certamente não escolheria mais nenhum catedrático para a Administração Interna. É que depois de uma ministra-catedrática  que quase não falava – Anabela Rodrigues –  saíu-lhe um que fala demais ou, pelo menos, não dá uma para a caixa.

Esta entrada foi publicada em Governo. ligação permanente.

2 respostas a Um ministro com vocação de pregador ou de angariador de seguros

  1. carlosalvares diz:

    Comentário oportuno e muito objectivo. Felizmente que tão esclarecido ministro em breve se vai embora. No entanto não é só ele……é pena.~
    Carlos Patrício Álvares

  2. llopes49 diz:

    Apetece dizer: Atrás de mim virá quem bom de mim fará. ( também não conseguia)

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