Tudo o que se refere a Sócrates nos jornais vem sempre inquinado

Expresso publicidade CM SócratesEsta peça do Expresso diário tem que se lhe diga. Critica o facto de o Diário de Notícias (DN) e o Jornal de Notícias (JN) não terem aceitado publicar a página publicitária do Correio da Manhã alusiva à proibição imposta pelo tribunal aos títulos da Cofina  no caso Sócrates.

O Expresso afirma que a decisão de não publicar foi tomada por Proença de Carvalho,  ex-advogado de José Sócrates e presidente não executivo da Global Media, empresa dona do DN e do JN,  embora essa afirmação tenha sido desmentida por um responsável da Global Media que explicou  ter a decisão sido tomada porque “achámos que aquilo era uma campanha de publicidade ao CM e não uma campanha sobre a liberdade de imprensa“. De facto, basta olhar para a página para ver que assim é.CM capa censura Sócrates

Ora, o Expresso publicou a página como publicidade (paga) e outros também o fizeram e  não como um gesto  em defesa da liberdade de imprensa. Aliás, as posições de crítica da decisão do Tribunal foram publicadas  em editoriais e em artigos de opinião em vários jornais.

A crítica do Expresso estende-se so director do Jornal de Notícias, Afonso Camões, identificado como “amigo pessoal do primeiro-ministro”, sugerindo que o JN não publicou a publicidade do Correio da Manhã por esse motivo.

O Expresso ouviu sobre o assunto o director do DN, André Macedo, que lhes respondeu como se impunha: “este assunto não chegou a ser assunto para a direcção editorial e não tinha de ser” (…) “a decisão de publicar ou não, neste caso, não é editorial ou jornalística, é da comissão executiva da empresa que tem autoridade para o fazer”.

Era suposto o Expresso saber que a área comercial de uma empresa jornalística não é da responsabilidade do director editorial, embora possa existir, naturalmente, interacção entre ambas em decisões que interferem directamente com matéria jornalística, como sejam as chamadas “capas falsas”, publicidade invasiva de textos jornalísticos, para não falar de publi-reportagens e de alguns patrocínios para reportagens, viagens, etc..

Mas o que é mais evidente  nesta peça do Expresso é a tentativa de associar os “amigos de Sócrates” – Proença de Carvalho e Afonso Camões –  à decisão de ambos os jornais de não publicarem uma capa do Correio da Manhã que não é mais do que um peça auto-promocional, isto é, publicidade comercial. Como se um jornal fosse obrigado a publicar toda a publicidade que lhe é oferecida, para mais, neste caso, em que o DN e o JN preferiram perder os milhares de euros que receberiam se a tivessem aceitado. Estão no seu direito de a recusar, como o Expresso está no seu direito de a publicar.

Não restam dúvidas de que tudo o que se refere a Sócrates nos jornais vem sempre inquinado. Um pouco mais de distanciamento e rigor dos jornalistas não fazia mal nenhum. Sobretudo num jornal com os pergaminhos do Expresso.

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5 respostas a Tudo o que se refere a Sócrates nos jornais vem sempre inquinado

  1. carlosalvares diz:

    O E S P A Ç O DO P A R A S I T A (obs)

    (ADVERTÊNCIA: Não conheço pessoalmente o Eng. José Sócrates, nunca lhe pedi ou tenciono pedir qualquer favor. No entanto:)

    ENQUANTO NÃO EXISTE ACUSAÇÃO FORMAL, O “ARGUIDO” É INOCENTE – ARTIGO 11º DA CONVENÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM

    O Correio da Manha, inventivo, ofensivo, fez-me interessar pelo processo em que é arguido José Sócrates, quase um ano em prisão preventiva e que, só através dos seus advogados se fazia ouvir ou defender. O jornal, para captar audiência, pôs de parte o escrúpulo de estar em jogo a vida, o prestígio, de uma família, de alguém em quem os portugueses por duas vezes confiaram. A quem ainda muitos estimam, e passou a dar guarida a tudo que sirva, para o denegrir.

    Já comentei esta situação mas, “suspenso” o Caso António Costa, prevejo que voltem ao Caso Sócrates, acicatados com a previdência cautelar que lhes foi imposta e os impede de continuar com os seus ataques ao ex-ministro. Decisão de que, aliás recorreram, invocando o “Direito de informar”. “O livre exercício do jornalismo”. Mais: “Nenhuma das notícias publicadas poderá ter causado qualquer lesão ao bom nome do Recorrido, limitando-se a relatar os factos e os fundados indícios que existem”. No recurso lê-se ainda: “A sua esfera privada não foi atingida pelas notícias jornalísticas constantes dos autos”. Termina: “O segredo de informar sobrepõe-se ao dever de cumprir o segredo, quando há manifesto interesse público”.

    Pondo de parte o interesse público utilizado como argumento, para se ter uma ideia da justeza ou arbitrariedade do Correio da Manha, resolvi dar a conhecer a qualidade de “algumas” (há mais…) das “informações” que nos dá, o “livre exercício jornalístico” que, sem pudor utiliza, embora informe, com descarada condescendência, que a “esfera privada” da “vítima” não terá sido atingida. Quanto ao direito de informar sobrepor-se ao dever do segredo, só quem trabalha o
    processo poderá decidir. Vamos às “notícias e informações importantes”, “de elevado interesse público”, lidas nas publicações ligadas à Cofina.

    Lê-se no Correio da Manha, quando Sócrates estava detido: “Pulgas atacam cela e perna de Sócrates”. ///// No FLASH Vidas: “Os empréstimos de Carlos Santos Silva a Sócrates não eram para pagar”. (Sendo eles amigos, não vejo razão para a notícia. Talvez esteja na incapacidade de quem a fez, conseguir amigos destes) //// Correio da.Manha: “LULA DA SILVA, em conluio com ele, Sócrates terá facilitado um negócio entre a PT e a OI, tendo sido pago por isso. (pagamento, até hoje,(14/11/15) sem provas) ////// TVI avança com a notícia de que o ex primeiro-ministro “hipotecou, em Janeiro de 2015 à C.G.D.,o apartamento que tinha em Lisboa. (Curioso é que, apesar desta hipoteca, ter-se atrasado no pagamento de um empréstimo feito sob uma moradia no Alentejo — para quem é acusado de ter ganho tanto dinheiro, é difícil acreditar nesta situação…) ///// Sócrates vende casa que tinha em Lisboa, na rua Braamcamp, para pagar o empréstimo que um amigo, que a acusação diz ser seu “testa de ferro”, lhe tinha feito -(Isto contraria a tal afirmação feita de que os empréstimos que o seu amigo Carlos Santos Silva lhe fazia, não eram para pagar).

    O CORREIO DA MANHA, continuando “a roer o osso” à procura da carne que escasseia, esclarece que o apartamento na Braamcamp, que entretanto foi vendido, estava penhorado à Conservatória do Registo Predial, devido a uma dívida fiscal existente (para uma pessoa acusada de “conseguir” tanto dinheiro, não é um paradoxo que não pagasse esta dívida?)

    A mesma publicação, quando Sócrates era primeiro ministro, fazendo manchete: “O DIAP investiga cartões de Crédito do Governo”. (José Sócrates nunca usou tais cartões. Mas isso pouco interessava aos manhosos. A “manhosice” está em lançar a suspeita. Ser ou não confirmada, para este estilo de “jornalismo”(?), pouco interesse tem. É preciso é lançar o “boato”) ///// EM 23.10.09, a encimar uma notícia que ocupa meia página a cores, contendo publicidade a um Bar existente no Brasil, um rodapé do Correio da Manha é aproveitado para dizer: AQUI A MAÇONARIA NÃO É DE TODO BENVINDA, por baixo a fotografia de todos os componentes do Novo Governo de Sócrates – é evidente a “manhosice”..

    Mas a “FÚRIA ASSASSINA” cotínua, não olhando sequer ao rídículo. O da Manha, atento, procurando manter a coluna sempre activa, serve-se de tudo. Assim, vai enchendo páginas do jornal com notícias “tão importantes” como o saber-se que na nova prisão, Sócrates tem a companhia do seu filho mais novo, e que é uma moradia de luxo em Lisboa. Que tem piscina e um bom jardim. Também é descrito o que lá se come, as visitas que recebe. Cujos nomes são sempre publicados pelos sempre activos representantes do Correio da Manha. Também procuram entrevistar quem o visita. Depois, com a manhosice habitual, tiram-lhes e publicam as suas fotografias. Isto para depois puderem dizer que a casa onde está o “detido”, é epicentro da atenção mediática. Mas, o escrutínio era tão rigoroso, o escrúpulo de informar a opinião pública era intenção tão respeitada, que até foi dado a conhecer que o “recluso” usava requintado calçado”pravad”.

    Poderia divulgar mais atitudes e actuações, que denunciam que a “caça ao animal feroz”, ao Engenheiro José Sócrates, é evidente. Mas o Gestor da J&M Guimarães Miguel Magalhães de Castro Nunes, tendo opinião idêntica à minha, sabe expressá-la com um brilhantismo e clareza que eu não possuo. Assim, mesmo sem pedir autorização, mas na esperança de que não levará a mal este aproveitamento, transcrevo o que postou no blog TESOUROS À TONELADA, e que, penso, liga com o texto que escrevi.

    “O que se tem passado com o processo José Sócrates.”A atenção dos cidadãos comuns para este processo ou‘’operação,’’ mobilizada através da consecutiva divulgação do conteúdo do processo, é sempre em abono da promoção política e social dos seus autores, Magistrados, polícia e assistentes. formais ou informais. A ideia que se pode formular dele, é a que vai sendo divulgada pelos intervenientes mediáticos, “alegando acesso a informação privilegiada”. E continua: “De resto, estas manobras mediáticas de mútua exclusão em que se envolveu a magistratura, são a melhor expressão do seu envolvimento na política e nos envolvimentos partidários. A prisão de José Sócrates, só se fundamenta com o concurso laborioso da comunicação social e da hipocrisia dos políticos. É uma medida política em contexto eleitoral, com um propósito claro de alcançar resultados políticos e esconjurar a indignação do povo ingénuo, face à corrupção política, oferecendo-lhe um bode expiatório”.

    Tenho possibilidade de dar a conhecer outros comportamentos semelhantes aos que aqui expus, mas fica para a próxima.

    Obs) ESPAÇO DO PARASITA porque, mais por comodidade que incapacidade para criar factos ou, vice versa, a “inspiração” para o que escrevo vem-me dos criteriosos, eruditos e incisivos artigos que vou lendo, das oportunas, ou não, reportagens de que vou tomando conhecimento. Enfim, do trabalho produzido pelos excelentes ou medíocres jornalistas que temos e candidatos a tal. O mesmo se passa com os que se intitulam comentadores. Também dos que, com razão ou sem ela, têm pretensões a igual estatuto.

    Carlos Patrício Álvares (Chaubet)

  2. EGR diz:

    na verdade onde já vão “os pergaminhos do Expresso”!

  3. carlosalvares diz:

    É verdade, que a par dos bons jornalistas que sabem escrever sobre assuntos de interesse e merecedores de atenção, também há candidatos a jornalistas e improvisados. comentadores com pouca categoria. Querendo preencher os espaços que lhes é concedido, mas não tendo conhecimentos ou imaginação para tal, procuram um assunto que lhes pareça susceptível de criar discussão e os ajude. Atacar, dizer mal de José Sócrates, foi considerado ideal. Está na moda…..

    No Correio da Manha e afins, é uma “autentica carnificina”..Fotografias distribuídas em profusão por duas ou mesmo três páginas, servem de moldura a textos denegrindo o ex-primeiro ministro . É “trabalho” que rende bem. Dizem…. .

    Carlos Patrício Álvares

  4. carlosalvares diz:

    Não deixei de comprar o Expresso pois considero um bom jornal. .É porém verdade, que a par dos bons jornalistas que possui e sabem escrever sobre assuntos de interesse e merecedores de atenção, também há candidatos a jornalistas e improvisados. comentadores. Querendo preencher os espaços que o jornal lhes concede, mas não tendo conhecimentos ou imaginação para tal, procuram um assunto que lhes pareça susceptível de criar discussão e servem-se dele. Atacar, dizer mal de José Sócrates, foi considerado ideal. Está na moda…..

    No entanto é de notar que no Expresso ainda há “algum” decoro. No Correio da Manha e afins, é que é “autentica carnificina”..Fotografias distribuídas em profusão por duas ou mesmo três páginas, servem de moldura a textos denegrindo o ex-primeiro ministro . É “trabalho” que rende bem. Dizem…. .
    Carlos Patrício Álvares

  5. Paulo Barral diz:

    Pergaminhos do Expresso ? Já os teve… agora é mais um órgão de propaganda da direita e do governo que outra coisa. Já deixei de o comprar e, sobretudo, de o ler. O Expresso é uma treta, um produto bom para os direitistas e para as suas proles. Eles que o leiam e que nele se limpem.

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