As coisas estão a ir ao seu lugar

card_antonio_costa_041115António Costa lembrou hoje na Comissão Nacional do PS coisas importantes que andavam esquecidas ou omissas no discurso político e no discurso jornalístico. Por exemplo: “um acordo pós-eleitoral nesta legislatura é tão legítimo como o acordo pós eleitoral na anterior legislatura”; o PS fez acordos pós-eleitorais (de incidência parlamentar) com o CDS, em 1978, e com o PSD, em 1983; o CDS de Portas, de anti-euro tornou-se  “campeão do euro” para entrar no governo de Durão Barroso, em 2002.

Também o mito de que o PS está profundamente dividido sobre um governo de esquerda caíu por terra com o resultado da votação da proposta de programa de Governo PS, com apoio do PCP, do Bloco e do PEV, por uma expressiva maioria:  163 votos a favor, sete contra e duas abstenções.

Apesar da enorme agitação das últimas semanas e da oposição frontal liderada por Francisco Assis, os críticos de António Costa tiveram um comportamento democrático, respeitando a decisão da Comissão Nacional , embora reafirmem a sua discordância.

Uma vez mais e ao contrário do programa do governo Passos-Portas que se limita a um conjunto vago de enunciados, a proposta de programa de um governo PS especifica as medidas, apresenta as contas e os impactos orçamentais das mesmas.  Decididamente, o país político e o país jornalístico não estavam habituados a este exercício de rigor e transparência. Daí as reacções descontroladas a que estamos a assistir.

O lado positivo da crispação provocada pela recusa de António Costa de servir de bengala a um governo de direita é constatar como muitos jornalistas e comentadores ficaram à beira de um ataque de nervos. Descobriram que há política e soluções para além daquelas que vendem a toda a hora nos seus comentários e nas suas colunas de opinião. Vão ter de sair da sua zona de conforto e estudar um pouco mais da história dos partidos políticos portugueses e do funcionamento da democracia em Portugal e na Europa. Terão de mudar de fontes e actualizar as suas agendas telefónicas.

Acabarão por se adaptar. É a lei da vida e da sua própria sobrevivência.

 

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Uma resposta a As coisas estão a ir ao seu lugar

  1. Francisco Santos diz:

    Sou e sempre fui apartidário, estou no momento satisfeito com o desfecho actual, e pós eleições, espero que não hajam nem desvios nem desvairios, estou céptico em relação a continuidade destas posições e sua mautenção, o País, os desfavorecidos precisam destas mudanças, mas com verdade e sem jogos de cintura ou magia conhecida, existe hoje também uma mudança de maturidade e postura na grande maioria do Portugueses, hà que honrá-la.

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