Jerónimo e a montanha

Jerónimo e a montanhaJerónimo tinha o microfone da sala da conferência de imprensa na sede do PCP a atrapalhar a sua leitura da declaração onde anunciou que, por unanimidade, o comité central do PCP deu o seu acordo a uma “solução estável e duradoura na perspetiva da legislatura” de um governo liderado pelo PS.

Mas, apesar do ruído do microfone, Jerónimo não se atrapalhou e repetiu, devagar e com segurança para que ninguém duvidasse, a frase-chave que muitos esperavam mas outros não queriam ouvir dita por ele em nome do comité central: “na perspectiva da legislatura”.

Jerónimo estava sereno, ainda com as marcas do cansaço de uma campanha eleitoral árdua e de um mês de negociações “difíceis”, os ombros descaídos do casaco a denunciarem uns quilos a menos. Ontem mesmo, ainda ouvimos os comentadores afirmarem que a tarefa de Jerónimo não era fácil, que era mesmo muito difícil, num comité central onde muitos representam ainda o “velho e ortodoxo PCP” que dificilmente aceitariam comprometer-se com o apoio a um governo do PS. Iria haver votos contra, asseguravam as pitonisas.

Os repórteres que ouviam  Jerónimo na sala de imprensa do PCP anunciar o apoio unânime do comité central, olhavam para um Jerónimo para eles desconhecido. Era uma espécie de admiração contida misto de incompreensão e de resignação. Afinal o PCP move-se….

Jerónimo fez história. «Se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha.»

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