Talvez possamos relativizar o que nos divide…

BataclamComo reagir perante uma ameaça permanente vinda de um inimigo sem rosto? Aqueles que morreram quando assistiam ao concerto no Bataclan, em Paris, ou conviviam nas esplanadas e cafés podiam ser os nossos filhos, netos, parentes ou amigos. Tal como eles, também nós vamos a concertos e frequentamos cafés e esplanadas.

Ao que se sabe, os terroristas eram jovens e de nacionalidade francesa. Uns suicidaram-se outros foram abatidos. O inimigo está, pois, entre nós mas não o conhecemos. Se nos deixarmos tolher pelo medo, olharemos uns para os outros e veremos no outro um potencial terrorista. Deixaremos de ir a concertos, a eventos desportivos e a outros lugares públicos onde pessoas se juntam e convivem.

Podemos interrogar-nos sobre o que leva estes jovens a matar e a matarem-se. Em nome de que ideal ou de religião aniquilam vidas de jovens como eles e de adultos como os seus pais e familiares? Que ódio os motiva? Que vingança os impele?

Não temos respostas. E não sabemos como podemos proteger-nos. Mas talvez possamos avaliar melhor a medida das coisas. E pensar que talvez possamos relativizar os ódios e os rancores que nos dividem, por exemplo, por motivos  partidárias ou ideológicas.

Os últimos tempos em Portugal têm sido férteis em agressões verbais e promessas de vinganças e represálias. O espaço público mediático transformou-se num palco de exteriorização de sentimentos de raiva e desespero que a não serem contidos poderão desviar-nos do essencial, isto é, o respeito pelo outro, seja ele aquele que vem de fora ou aquele que, cá dentro, não pensa como nós nem partilha os nossos gostos e os nossos desejos.

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