A crise política e a importância dos editoriais

editorialSe analisarmos os editoriais publicados desde o dia 4 de Outubro constata-se que são em geral ferozmente críticos de António Costa e da solução de governo que ele apresentou, o que leva a concluir que a imprensa portuguesa se situa à direita no espectro político português. Raramente se verificou uma tão grande unanimidade acerca de um mesmo assunto. Essa unanimidade propagou-se também a muitos dos moderadores de debates nas diversas televisões e à grande maioria dos comentadores da área jornalística convidados para esses debates.

Nas televisões (e também nas rádios) a figura do editorial não existe formalmente, a não ser em situações extraordinárias. Nestes meios, os cidadãos tendem a ver nos apresentadores dos telejornais e nos moderadores de programas o rosto da estação e na sua voz a posição oficial  sobre um determinado  acontecimento.

Ora, o editorial  é o espaço onde o jornal assume posição própria, isto é, representa a “posição oficial” do jornal sobre acontecimentos relevantes da vida nacional e internacional. É o “espaço nobre” do jornal. Em alguns jornais, caso do Expresso e do Público, os editoriais não são assinados, o que é coerente com o facto de representarem a posição do jornal e não a opinião de um membro em particular da  direcção. Noutros jornais, por exemplo, no DN, o editorial é assinado cada dia por um membro da direcção. Contudo, ao usar o espaço nobre do jornal, o autor do  editorial vincula o jornal à sua posição, presumindo-se que para exprimir uma opinião pessoal usaria outro espaço do jornal que não o editorial.

A  situação política criada pelas eleições legislativas de 4 de Outubro com a rejeição do governo da coligação PSD-CDS, revelou que a grande maioria dos jornais e televisões portugueses se situa maioritariamente à direita, patente em editoriais hostis ao líder do Partido Socialista e à solução governativa que ele apresentou ao Presidente da República. Tal  posicionamento editorial contraia os estatutos editoriais desses meios, uma vez que todos eles assumem o respeito pela independência e pelo pluralismo.

Podem alguns editorialistas argumentar que a opinião é livre e que apenas as notícias estão sujeitas às regras do jornalismo, o que é um facto. Porém, a opinião do director de um jornal, rádio ou televisão é percepcionada como uma opinião de “autoridade”, mesmo quando é emitida noutro meio de comunicação social que não aquele que é dirigido por si.

O mesmo se passa nos debates televisivos e radiofónicos.  Os convidados são responsáveis pelas opiniões que emitem, enquanto dos moderadores se espera uma postura de independência e equidistância.

Nos últimos dias, nomeadamente após a posse do novo governo, há sinais de que o negativismo e a hostilidade editorial face a António Costa diminuíram. Espera-se que as opções ideológicas, aliás legítimas, das direcções dos meios de comunicação social não contaminem as posições editoriais dos meios que dirigem. Caso contrário, em nome da transparência, devem alterar os estatutos editoriais e declararem o verdadeiro sentido da respectiva orientação ideológica.

 

Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Governo, Imprensa, Jornalismo, Rádio, Televisão com as etiquetas . ligação permanente.

Uma resposta a A crise política e a importância dos editoriais

  1. cristof9 diz:

    Presumo ,depois de ver esta lastimável paranóia anti esquerdalhada de gente que me habituei a ler bons artigos, que a dor de corno afecta muito os neurónios.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s