BANIF, um escândalo colossal!

BANIFA sucessão de acontecimentos que têm vindo a público nas últimas semanas mostra que, uma vez mais, os portugueses votaram nas eleições de 4 de Outubro passado envoltos em omissões e mentiras quanto ao estado do País. Para lembrar apenas algumas, temos o embuste da devolução da sobretaxa que depois das eleições  ficou em zero; o défice que havia de ficar nos 2,7% e afinal esse número não era verosímil; a venda da TAP feita por um governo demitido e sem que se conhecessem todos contornos do contrato. E agora o Banif, a maior de todas as mentiras, um buraco colossal, um escândalo e um “crime económico” que o governo anterior escondeu dos portugueses por razões políticas e partidárias relacionadas com a necessidade de encenar uma “saída limpa” da troika e porque vinham aí eleições legislativas.

A carta da comissária europeia, divulgada pela TSF data de há mais de um ano (10 de dezembro de 2014) e deixa explícitos os motivos do anterior governo para o adiamento de uma solução para o Banif. Uma vez mais, o Banco de Portugal, a quem compete a supervisão do sistema bancário, fez o frete ao governo como já tinha feito no BES e deixou que a situação se arrastasse longe do conhecimento público. Talvez por isso o governo  confirmou o governador no lugar de que devia agora demitir-se por sua iniciativa, já que ninguém pode demiti-lo.

Passos Coelho e Paulo Portas não tiveram até agora a coragem de virem explicar porque razão esconderam a situação do Banif. Maria Luís Albuquerque, entrevistada na TVI, não escondeu o embaraço. Refugiando-se no desconhecimento da situação, diz agora que não tem informação, não sabe, não percebe os números e espera pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O mesmo fizeram os deputados do PSD e CDS que participaram nos diversos debates televisivos sobre o Banif, todos refugiando-se na futura CPI.

É, por outro lado, sinal de uma democracia muito pouco transparente que estas situações possam ser escondidas dos cidadãos e mesmo dos partidos políticos da oposição e que os cidadãos sejam chamados a votar em eleições desconhecendo realidades que se reflectem de maneira muito profunda nas suas vidas.

Se os portugueses estivessem na posse dos factos que vieram a lume depois das eleições, sobre a actuação do anterior governo, é legítimo supor que talvez o resultado não tivesse sido o que foi.

Mas também o jornalismo, neste caso o jornalismo económico, ao qual compete o escrutínio do sector económico e financeiro, incluindo dos reguladores, não fez o seu trabalho e agora que o escândalo rebentou mostra-se tão surpreendido como o cidadão comum.

Ainda nos lembramos da indignação mal contida de alguns comentadores e jornalistas quando António Costa, antes de ser primeiro-ministro, se referiu a “surpresas desagradáveis” que ia conhecendo nas conversações (falhadas) com a coligação PSD-CDS para a formação de um possível governo da coligação de direita apoiado pelo PS. Nessa altura, António Costa era o “mau da fita” que não hesitava em levantar suspeitas sobre o governo anterior. Vê-se agora que tinha razão.

O que dizer também do silêncio ensurdecedor do Presidente Cavaco, que não queria dar posse a António Costa, entre outras razões, receoso sobre a “estabilidade do sistema financeiro”? Será que Cavaco conhecia o descalabro do Banif e queria mantê-lo em segredo com a cumplicidade do governo PSD-CDS até à eleição do novo presidente? E agora não tem nada a dizer?

Estas são questões demasiado sérias para que as deixemos passar sem reparo e sem uma profunda reflexão e debate, porque elas minam e abalam ainda mais a já fraca confiança dos cidadãos na democracia.

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9 respostas a BANIF, um escândalo colossal!

  1. Todos os comentadeiros que fazem a defesa da anterior governança só por seguidismo político deveriam ser responsabilizados com os seus amigos governantes pelos erros, omissões,má gestão da coisa publica bem como pela maldade que puseram para prejuizo de toda a população. Muitos crimes de lesa-pátria foram cometidos com a falida ideologia neo-liberal, ” tudo para o particular, para o Estado nada”. Foram destruidas a maior partes das empresas restáveis do Estado nestes quatro anos. Estes actos têm de chegar á Justiça. Por pura ideologia e sem respeito pelo povo e pelo Estado rebentar com tudo o que era essencial a Portugal merece ser punido.

  2. llopes49 diz:

    Vou bater a bota e não vou ver quem trata mal a Coisa Pública ir para a cadeia. Vivemos no Paraíso Portugal,onde os ladrões podem,e fazem o que querem.
    Nunca gostei do Salazar,mas esse não roubou para proveito próprio,contrariamente a alguns “democratas” de opereta,que,governaram o Paraíso.

  3. Pingback: BANIF, um escândalo colossal!

  4. jv diz:

    A colossal verdade é que agora a dívida existente, por exemplo, se fosse sujeita à conjuntura externa de 2011, com os juros de então, a bancarrota em termos proporcionais seria proporcionalmente devastadora. Depois da venda dos nossos melhores activos e da brutal carga de impostos a que fomos sujeitos, alguém vir afirmar que não se estrague o que se fez é duma desfaçatez despudorada que apesar da protecção dos media nos deveria indignar sobremaneira.

  5. Filipe diz:

    É verdade, D. Jasmin, ainda há. É que a tal COLOSSAL MENTIRA, infelizmente, é bem real: o seu herói chamou mesmo a Troika, e esta pôs mesmo cá 78.000 milhões, mais juros. Só o empréstimo e os juros, veja lá, são praí 2/3 do PIB.

    Sim: DOIS TERÇOS DO PIB. 112 mil milhões de euros. Está a ver o verdadeiro colosso, D. Jasmin? E não só: acresce o tal despesismo, digamos, CRIMINOSO, e todos os calotes empurrados para baixo do tapete pelo governo do seu herói, por autarcas patos-bravos, e pelos governos regionais – com o Bokassa da Mamadeira à cabeça.

    Extasiada com a “festa” das PPP, a Parque Escolar, o Magalhães (lembra-se da Sá Couto?), as Novas Barbaridades, e outras obras faraónicas que tanto jeito deram à propaganda xuxa, e às contas bancárias do DDT, da Mota-Engil e do Grupo Lena, talvez não tenha ocorrido à D. Jasmin que alguém pagaria a festa. Surpresa: somos nós.

    Já o BANIF é outro tipo de festa, na linha do BPN e do BES. E também foi o PS que nacionalizou o prejuízo do BPN, para depois o PSD privatizar o lucro restante, limpo de espinhas, ao compincha Mira Amaral. No BES tentaram disfarçar a coisa com o Fundo de Resolução, mas o seu camarada Costa nem isso: já vai outra vez nacionalizar o prejuízo. Porquê?

    O meu palpite: porque ainda é a Banca que manda nisto tudo. E há um pacto de regime para deixar impunes todos os responsáveis – os mamões da Banca, e os seus capachos da política.

  6. J. Madeira diz:

    Hoje em dia há poucos Jornalistas, o que mais temos são profissionais da comunicação
    social que, parece escreverem ou falarem por encomenda de quem lhes paga ou os mi-
    ma com viagens/jantares/ regalias sociais e, não para o bom esclarecimento das situa-
    ções seja no domínio da economia ou noutros!
    Aliás, a comunicação social está nas mãos dos oligarcas sobreviventes e predadores do
    nosso País, até as estações públicas de rádio e televisão costuma alinhar pelo mesmo
    diapasão deixando-nos sem meios para evitar de lhes pagar o que, não merecem e, nos
    é imposto nas contas da electricidade !!!

  7. Harmódio diz:

    Outra comissão parlamentar de inquérito… fantástico… mais oportunidades para todos lavarem as mãos. Haja mais “debate” inútil para entreter.

  8. E ainda há em Portugal quem acredite que houve bancarrota do Estado português ? Descontrole das contas públicas ?
    E ainda há quem acredite na COLOSSAL MENTIRA de que Sócrates levou o país à bancarrota ?
    Talvez agora se perceba melhor a sua prisão. Valeu tudo para tornar verossímil a “narrativa”.

  9. carlosalvares diz:

    Não com tanto pormenor mas….já sabia disto. Só mesmo com “aldrabices” dessas é que estes tipos se conseguem aguentar.

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