Vem aí uma overdose de debates presidenciais

debates americanosAs televisões preparam-se para doses maciças de debates presidenciais a começarem já no dia 1, dia em que o actual Presidente fará a sua última comunicação ao País.

A crer no calendário divulgado quando ainda só estavam anunciados sete candidatos, entre 1 e 10 de janeiro  haverá vinte e um “frente-a-frente” entre todos os candidatos, agrupados dois a dois. Mas eis que afinal  os candidatos são dez. Não sabemos se as televisões se preparam para incluir estes três na maratona ou se serão descartados. Seja como for, o absurdo da opção por “frente-a-frente” está à vista. Só de olhar para o calendário fica-se cansado. O que fará a ouvi-los.

A overdose de debates contribuirá para tornar a campanha eleitoral ainda mais irrelevante do que tem sido até agora. De facto, os candidatos têm falado de tudo um pouco e têm falado sobretudo do candidato Marcelo que, por culpa dos seus adversários ou das perguntas dos jornalistas, passam o tempo a falar do que Marcelo diz e não diz, do que disse antes e do que fará ou não se for presidente. Marcelo não lhes responde e vai fazendo de conta que já está eleito. Nos frente-a-frente vai fazer o mesmo e habituado que está ao palco televisivo falará sobretudo para quem o ouve em casa e não para quem está à sua frente. Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa terão de fazer o mesmo e mostrarem porque são melhores que Marcelo e porque é que cada um dos dois é melhor que o outro. Não valerá a pena perderem tempo a dizerem a Marcelo o que já disseram por interpostos jornalistas.

Infelizmente, não ocorreu aos responsáveis editoriais das televisões substituírem os “frente-a-frente” por duas rodadas de cinco a cinco, como fazem os americanos, dando mais tempo ao debate, dividindo os candidatos segundo critérios que certamente será possível encontrar, por sorteio ou por ordem  de apresentação da candidatura ou qualquer outro critério que possa ser compreendido e aceite pelas partes. Talvez fosse possível colocar as questões mais importantes a cada um deles, dando-lhes oportunidade de se pronunciarem sobre o essencial das funções presidenciais. Os candidatos não são comentadores uns dos outros ao contrário do que alguns parecem querer ser e do que os jornalistas querem forçá-los a ser.

Espectáculo por espectáculo, que é para o que servem os debates televisivos, o modelo americano funciona e não massacra os telespectadores com mais de vinte debates nem exclui ninguém.

Bem sei que é muito excitante para alguns verem como é que Marcelo vai reagir perante algum adversário mais aguerrido ou quem, Maria de Belém ou Sampaio da Nóvoa se sairá melhor. Mas, francamente, depois do tempo que Cavaco demorou a nomear António Costa  e da confusão que arranjou com a quase sobreposição de campanhas eleitorais para as legislativas e presidenciais e agora com a banca em estado de sítio, poucos terão paciência para lutas de galos.

Pode ser que ainda se faça luz nas cabeças dos directores das televisões e nos poupem à overdose anunciada.  Haja esperança!

 

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2 respostas a Vem aí uma overdose de debates presidenciais

  1. Pingback: E ao segundo dia de debates…. | VAI E VEM

  2. arber diz:

    E quanto mais debates desse género houver, mais satisfeito fica Marcelo.
    O seu jeito histriónico só sai a ganhar, por isso o seu entusiasmo por tal esquema.
    Pois o que esperar de um debate entre ele e Tino de Rans, senão uma espécie de número de circo?

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