O Presidente Marcelo e a imprensa “cor de rosa”

A eleição de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República levou a imprensa “cor de rosa”, ou seja, as revistas ditas de sociedade, a escreverem sobre a vida amorosa do Presidente eleito,  salientando o facto, por ele assumido durante a campanha eleitoral, de que não haveria “primeira-dama”.

É claro que Marcelo não pode evitar que a sua vida privada seja alvo de curiosidade, tanto mais que tratando-se de uma pessoa com grande exposição mediática e dispondo do que se costuma chamar  “boa imprensa”,  não terá motivos para se proteger dos media. Os artigos publicados sobre a sua vida privada não são originais, certamente por se basearem na sua biografia escrita pelo jornalista Vítor Matos.

As “mulheres”, a “namorada” e a família  são os temas mais focados nas revistas que cobriram a sua eleição. Em alguns casos, pessoas “próximas” acrescentam pormenores da sua relação com Rita Amaral Cabral, que surge com Marcelo em algumas fotografias de arquivo, nas capas e no interior dessas revistas. Marcelo FlashMarcelo SàbadoMarcelo LUX

Durante a campanha eleitoral, Marcelo não alimentou o tema “primeira-dama”, tentando sempre afastá-lo de debates e entrevistas, no que teve o apoio dos outros candidatos que também não apoiavam a ideia de um lugar para o cônjuge.

Trata-se, naturalmente, de um fait-divers, uma vez que o Presidente da República é um órgão uninominal. Além de que o estado civil de um presidente ou uma presidente – seja solteiro, divorciado, viúvo, ou em coabitação com alguém – não é condição para o exercício do cargo. O novo Presidente tem pois o direito de ter uma “namorada” e de a manter longe da residência oficial e das cerimónias  relativas à função ou de fazer-se acompanhar por ela nessas ocasiões.

A curiosidade dos media pela “namorada” do Presidente Marcelo é, pois, mais do domínio da coscuvilhice do que da informação. Contudo, se é certo que os pormenores da sua relação com Rita Amaral Cabral descritos na sua biografia passaram até agora despercebidos das revistas “cor de rosa”, a eleição presidencial veio dar-lhes visibilidade.

O Presidente Marcelo vai ter de gerir esse lado da sua esfera íntima. Conhecendo como conhece o voyeurismo tendencial dos media e a tabloidização da política, saberá como evitar justificações susceptíveis de comentários como este.

 

 

Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Política, Presidenciais, Presidente da República, Sociologia dos Média. ligação permanente.

2 respostas a O Presidente Marcelo e a imprensa “cor de rosa”

  1. RFC diz:

    Embora em estéreo, copio para aqui umas notas que deixei entretanto no blogue Aspirina B.

    Um dos artigos mencionados está no interior da revista Sábado e, para além do facto da coisa poder ou não ser incluída na “imprensa cor-de-rosa” como a Flash e outras ferramentas usadas pelas manicures deste país, parecem ter sido os ramos familiares tradicionais da senhora que estarão na base de dois pontos: a passagem de Marcelo pela presidência da monárquica e salazarista Fundação da Casa de Bragança; pela ligação [da senhora] ao sector da saúde privada, por onde andou uma reconhecida senhora candidata presidencial de nome Maria.

    O que dá que pensar sobre a forma como os bastidores da sociedade funcionam ainda hoje, exibidos quando se descobrem sob a leve camada de tinta a óleo que os esconde, surgindo o Presidente da República e uma candidata a (Marcelo e Maria, exemplos, fazem parte de uma paradoxalmente longa mas exclusiva lista) como simples peças no sistema giratório das influências mútuas entre a política portuguesa e os interesses públicos e privados.

  2. Paulo Rato diz:

    O pior são os comentários, como os que acompanham o “comentário”, que tornam a internet num sítio mal frequentadíssimo. E povoado de inimputáveis, já que, ao que parece, ninguém se arrisca a ser penalizado por calúnias, repetição de boatos, etc. E não falo de “insultos” porque, tratando-se de afirmações produzidas num contexto de seriedade, é coisa de definição, para mim, mais difícil e imprecisa.

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