As promessas do novo director da TSF

.TSF
David Dinis, director da TSF a partir desta terça-feira, disse no Fórum TSF onde se assinalava o 28.º aniversário desta emissora,  que (cito de memória) está na altura de dar mais voz aos partidos da esquerda que apoiam o governo  – PCP e BE – os quais até agora, embora sejam ouvidos no quadro parlamentar, eram  vistos como partidos sem influência. David Dinis respondia a questões colocadas pelos ouvintes.  Se vier a concretizar na TSF a ideia que prometeu terá um bom começo em prol do pluralismo de que o nosso sistema mediático está carenciado.

O novo director da TSF  tem razão e espanta que os seus pares de outros media não tenham visto que, de facto, hoje em dia é mais importante ouvir o que o PCP e o BE têm a dizer sobre os temas-chave da governação e da vida dos portugueses, do que ouvir Passos Coelho dizer que o orçamento é mau e Portas ou Assunção Cristas criticarem um governo que é apoiado por “comunistas e trotskistas”.  David Dinis percebeu que o Bloco e o PCP podem influenciar as decisões do governo e são determinantes para a sua estabilidade. Saber o que eles pensam, o que propõem, ouvi-los, em suma, é muito mais relevante do que ir atrás de Passos ou da dupla Portas/Crista.

Mas para equilibrar a supremacia  da direita nos media não basta pôr “frente-a-frente”,  um deputado do PCP e outro do Bloco para discutirem com um deputado do PSD e outro do CDS. Noutras áreas não estritamente políticas, nomeadamente na economia e finanças, os comentadores continuam a ser maioritariamente oriundos do chamado “arco da governação”. As agendas telefónicas dos jornalistas levam tempo a mudar, além de que alimentar horas e horas de debates e análises precisa de gente “treinada” e a direita leva vantagem nos “treinos”. E muitos jornalistas ainda não mudaram o “chip”.

É  preciso ter em conta também que o pluralismo da informação não se avalia apenas nos espaços de comentário. É preciso que os sindicatos e os trabalhadores tenham voz não apenas quando fazem greve.

Pacheco Pereira viria a referir-se a esta temática no debate que a TSF realizou à tarde. Pacheco traçou um retrato negro mas realista dos media portugueses, criticando em especial os jornais económicos, pela visão parcial, alinhada com a direita, privilegiando as empresas e os empresários de sucesso e as suas iniciativas, cujo “sucesso”  depois nunca é escrutinado.

A TSF mudou de director e, como disse aquela ouvinte no Fórum TSF, que ficou “preocupada” por David Dinis vir  do Observador, espera-se que conforme anunciou, o novo director  traga para a antena da TSF um leque mais alargado de vozes e que com isso faça a diferença.

Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Imprensa, Jornalismo, Rádio. ligação permanente.

6 respostas a As promessas do novo director da TSF

  1. joao diz:

    Realmente deve ser difícil perceber porque existem mais comentadores da área do chamado arco da governação. Talvez por serem mais as pessoas que se identificam com esses 3 partidos?

  2. ignatz diz:

    ò litrico! o que é que querias dizer? não encontro tradução no conversor esquerda/direita.

  3. cristof9 diz:

    Quando lemos os media e blogs ditos de esquerda damos por uma maioria de posts a focar a direita, passos… ficando até ridiculo pensar que estamos com mais de 2 meses de governo de esquerda e não se nota. Vais ser um jornalista muito atacado pelos litricos que vai ajudar a corrigir esse imbecilidade da esquerda? parabens!!

  4. António Nunes diz:

    Realmente, para mim, que não sou jornalista, nem comentador e muito menos proprietário de órgãos de comunicação social, esta designação preocupa-me mais do que me surpreende.
    A “coisa” está cada vez monocasta.

    Sobre a abertura mediática às ideias à esquerda do PS, a mesma nem se devia discutir. Não fosse este Governo, e o PNR teria mais possibilidades de Governar (nem falo das “gentes do PNR”, que alguns deles, efetivamente, governaram) do que o PCP e o BE.

    Mas, também sabemos que, durante o desgoverno do passos e do portas, foram muitos os salamaleques do observador, do sol, do i, da rtp, da sic e etc, às jovens do BE, à Festa do Avante, à renovação da Esquerda, com o intuito claro de fragilizar (conseguido) o PS e de afastá-lo da governação (falharam).

  5. ignatz diz:

    o dinis revelou a táctica, puxar pela esquerda para criar factos que ajudem a credibilização da direita. se reduzirem a exposição das asneiras e tiros nos pés da direita ressabiada também ajuda. a direita promoveu o dinis a controleiro de uma rádio da direita, cuja finalidade é fazer a cabeça a tótós para votarem direitólas e o gajo aproveita a embalagem para dizer que é pluralismo. mal acomparado é uma espécie de caroço de azeitona em cima duma travessa de espinhas. gajos de esquerda a dirigir as tvs, rádios e jornalecos subsidiados pelo estado era a guerra civil.

  6. jose neves diz:

    Talvez o david dinis venha a ser realmente uma voz que defenda a esquerda porque o homem é tão preocupado em rebuscar ideias para dar opiniões muito pessoais e diferentes que raramente não acaba por elogiar o que detesta e quer deitar abaixo.
    Foi precisamente isso que fez com o “Entroicados” quando queria dar a estocada final em Sócrates e acabou por fazer o maior elogio à força de carácter e qualidades políticas do então PM derrubado por golpadas de cavaco e passos. O david, xico-esperto burro, ao inscrever excertos dos últimos discursos e declarações de Sócrates como PM, julgando que o estava a linchar definitivamente porque não entendeu patavina do alcance futuro de tais palavras certeiras, não fez mais que, desde logo, uma apologia que à medida que o tempo corre se torna mais consistente e faz elevar e maior quem quis destruir e enterrar ainda quente.
    E, tal como nesse caso dos “Entroicados”, querendo destruir ferozmente acabou fazendo o contrário por pura falta de intuição e visão política, presente e futura, também agora, provavelmente, vai utilizar o seu pensamento rebuscado para parecer inteligente, elogiando o actual governo julgando que o está destruindo.
    Se a tsf queria um homem de mão para o derrube do actual governo tinha, lá no blog observador, gente mais manhosa.

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