Maria Luís: tanto recato nos últimos tempos dava que pensar

Maria Luís deputadaA contratação de Maria Luís Albuquerque para a Arrow Global Limited, empresa que comprou ao Banif créditos de carteiras de Portugal e Espanha, pode ser melhor compreendida se fizermos um flashback  e recuarmos alguns meses:

Era estranho ver Maria Luís Albuquerque na última fila da bancada do PSD, remetida ao silêncio nos debates parlamentares sobre o orçamento, ela que foi ministra das Finanças,  responsável pelos últimos orçamentos. Nos corredores do Parlamento, Maria Luís  passava, fugidia, entre os jornalistas sem responder a perguntas como se fosse uma novata nas lides políticas.

Ora, tanto recato de Maria Luís dava que pensar. É bom lembrar que a ex-ministra chegou a ser apresentada pelo comentador Marques Mendes como uma muito possível sucessora de Passos Coelho na liderança do PSD. Mas depois das eleições, dir-se-ia que Maria Luís tinha caído em desgraça e sido votada ao esquecimento.  Não se percebia bem porquê, tanto mais que o PSD e o CDS continuavam e continuam a defender as políticas que Maria Luís executou em nome do governo da coligação.

A única intervenção pública de Maria Luís nos últimos meses deu-se quando estalou a crise do Banif e foi conhecida a inação do governo de Passos e Portas perante a  rejeição da Comissão Europeia  dos sete planos de reestruturação do banco, tudo para garantir a “saída limpa” da troika. Maria Luís foi nessa altura obrigada a explicar a situação numa entrevista à TVI onde surgiu visivelmente atrapalhada e sem convicção afirmando que o Banif sempre teve uma situação difícil. Depois voltou a apagar-se.

Ora, o apagamento voluntário ou involuntário de Maria Luís pode muito bem dever-se ao desejo de que a sua contratação passasse despercebida, como se fosse possível evitar que uma tão polémica e pouco ética decisão fosse  fortemente criticada.

Apesar de o Diário de Notícias dizer que a nomeação “apanhou a direcção do PSD de surpresa” é difícil acreditar que Passos Coelho não tivesse sido informado antecipadamente por Maria Luís, para mais querendo ela continuar como  deputada do PSD.

A contratação da ex-ministra causou alarme nos fóruns radiofónicos e nas redes sociais com manifestações muito críticas por parte de cidadãos comuns. Seja ou não legal e compatível com a função de deputada, digam o PSD e Passos Coelho o que disserem em defesa dessa compatibilidade  e por mais que a própria Maria Luís afirme que se trata de “chicana partidária”,   a sua contratação para  uma empresa de gestão de dívidas que teve ligações ao Ministério das Finanças, ainda por cima “prejudiciais para o país”, tão pouco tempo após ter saído do governo, revela “uma grande falta de bom senso“, como afirmou Manuela Ferreira Leite.

Enquanto governante Maria Luís Albuquerque esteve ligada a episódios que não abonam muito a seu favor, alguns dos quais são referidos aqui, aqui e aqui.

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