As lógicas partidárias e a CGD

Foto Rui Coutinho (DN)

Foto Rui Coutinho (DN)


A discussão em torno da Caixa Geral de Depósitos (CGD), em particular sobre a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) proposta pelo PSD,  é bem o exemplo de como as lógicas partidárias valorizam os interesses particulares dos partidos e dos seus dirigentes do momento em vez do interesse do País e da coerência dos valores que dizem prosseguir e defender. Essa sobreposição de interesses torna-se perversa e corrói ainda mais o sistema partidário e a democracia.

A proposta do PSD de criação de uma CPI à CGD não pode deixar de ser vista como uma oportunidade de afirmação do PSD e do seu líder Passos Coelho, cuja liderança se revela cada vez mais frágil, incoerente e sem norte. A CGD surge como uma oportunidade para o PSD mostrar que lidera a oposição ao governo face a um CDS cuja nova líder, Assunção Cristas, tenta ainda encontrar um estilo e uma orientação que confiram substância e coerência ao CDS depois de Portas.

No seu espaço de comentário na TVI 24, Manuela Ferreira Leite questionou o momento em que surge a proposta do PSD de criação de uma CPI  à Caixa Geral de Depósitos, relacionando essa decisão com o facto de ela surgir no momento em que a Comissão Europeia  está a analisar a proposta do governo  português de recapitalização da Caixa. Sem o dizer expressamente, Manuela Ferreira Leite  avaliou a iniciativa do PSD como uma forma de criar obstáculos ao governo português tentando criar um clima de desconfiança nas instituições europeias sobre a CGD.

Como bem escreveu o director do Diário de Notícias,  André Macedo, o PSD não pode desconhecer a situação da CGD. Como outros  também já afirmaram, não está em causa a legitimidade e pertinência de a CGD ser sujeita a uma rigorosa investigação, nomeadamente sobre as decisões tomadas pelas diversas administrações e, naturalmente, pelo accionista Estado. Porém, como Ferreira Leite deixou subentendido, uma  comissão parlamentar de inquérito, “agora” (no momento em que a Caixa está em vias de ser recapitalizada) só pode ser entendida como visando objectivos partidários.

A Caixa Geral de Depósitos deve ser investigada, sim, e responsabilizados aqueles que contribuíram para a situação actual. Mas deve ser poupada à chicana político-partidária e mediática.

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3 respostas a As lógicas partidárias e a CGD

  1. Pingback: A demagogia do “quem não deve não teme”. | VAI E VEM

  2. O ESPAÇO DO PARASITA — A PORCA DA POLÍTICA
    Por vezes passam-se coisas que justificam a forma como a política, de quando em quando, é classificada.
    Vem no J. Expresso que Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque, exs-Primeiro Ministro e Minitra das Finanças, preocupados com eventuais sanções que poderiam ser impostas, com a ajuda do deputado Luís Montenegro, escreveram a Jean-Claude Junker a Valdis e a Dombrovskis, procurando sensibilizá-los para qualquer problema que eventualmente viesse a acontecer e que fizesse perder a confiança que sempre demonstraram ter por nós.
    Atitude honesta, sincera e inteligente. Própria de pessoas moralmente bem formadas capazes de porem acima dos seus interesses pessoais, os do País e o dos portugueses. Mas a Porca da Política ou, a ambição estraga tudo
    Li agora que as pessoas que me impressionaram com o seu apoio ao actual Governo no caso das sanções – PC e MLA – nas quais, pelo visto ingenuamente, confiei e só vi senso e realismo, preparam-se agora para “tentar” colocar mal o atual Governo. Pretendem fazer o que em quatro anos de governação, por medo, não fizeram. Uma investigação à Caixa Deral de Depósitos. Seja. Será a oportunidade de lembrar o que o governo Passos/ Portas, fizeram:
    “Progressões na carreira, foram suspensas. Impos-se cortes de salários (entre 5 e 10 por cento), para a função pública. Mais meia hora de trabalho diário para o privado. Aumento da carga fiscal, sobre consumidores e assalariados, ampliando as desigualdades sociais. A “geringonça” que formava o governo, PSD/CDS, tornou-se campeã na transferência do controlo do Estado para os privados. Era imposição da Troika, argumentavam.
    Enfim….é a “porca da política”. Uns chafurdam nela melhor que outros. Já estão habituados. Eu “ainda” não.
    Carlos Patrício Álvares (Chaubet)
    Também, as severas medidas de austeridade, superiores, até, às recomendações da Troika, levadas a cabo ao longo de 4 anos, foram um desastre.

  3. llopes49 diz:

    Poupar a Caixa sim,os gestores da treta e do compadrio com o dinheiro dos Contribuintes pagantes (alguns,não pagam e são muitos) devem de ser exemplarmente PUNIDOS e não agraciados.

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