Chamar os bois pelos nomes

Augusto Santos Silva TSFO que aprecio em Augusto Santos Silva, além da inteligência e da capacidade política, é a frontalidade com que encara as situações e lhes dá o devido nome.

Numa entrevista à TSF, este sábado, na qualidade de ministro dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva defendeu o projecto europeu, mostrando-se optimista em relação à permanência do Reino Unido na  UE mas não dramatizando as consequências de uma eventual saída. Numa análise lúcida e desapaixonada, o ministro dos Negócios Estrangeiros não deixou porém de exprimir uma dura crítica ao comportamento adoptado relativamente a Portugal por “funcionários” europeus. Disse o ministro:

O que Portugal não aguenta é um clima de ameaça constante, hostilização permanente, porque as expectativas são importantes em economia. Não há maneira de atrair investimento se houver funcionários a dizer isto vai falhar, isto vai falhar.“.

Santos Silva foi certeiro na qualificação das declarações que porta-vozes e outros funcionários europeus, incluindo membros do Eurogrupo, insistem em fazer com regularidade, ameaçando Portugal com hipotéticas futuras sanções, criando percepções negativas sobre o País e descredibilizando o governo português.

Ainda bem que há um ministro com o peso do ministro dos Negócios Estrangeiros que não tem medo de dizer o que todos vemos e ouvimos, isto é, que “funcionários” europeus  criam um “clima de ameaças e hostilização permanente” contra Portugal.

Em  português popular, chama-se a isso “chamar os bois pelos nomes”.

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