O lado perverso da figura do “político-comentador”

Marques Mendes SICJá não é a primeira vez mas, mesmo assim, vale a pena registar. Marques Mendes anunciou na SIC  que teve “acesso” a uma  carta dirigida  em 8 de Junho à CGD e ao Governo pelo Banco Central Europeu (BCE) sobre a Caixa Geral de Depósitos, exibindo alguns dos parágrafos que considerou como os mais importantes.

Nenhum jornalista teve acesso à carta, ou se teve não a publicou nem a mencionou. Também nenhum jornalista, que se tenha lido ou ouvido, criticou o facto de a mesma ter sido cedida à um político comentador e não a um jornalista. A própria SIC foi ultrapassada pela fonte que escolheu dar a carta ao comentador em vez de a dar a um jornalista da casa.

O ministério das Finanças reagiu, incomodado com a divulgação da carta e o Presidente Marcelo também. Pela reacção de ambos verifica-se que a carta está ultrapassada.  O ministro das Finanças garantiu que “nem BCE, nem Comissão vetaram qualquer proposta do Governo quer para a administração, quer para o plano de recapitalização” e o Presidente afirmou que “aparentemente está adquirido” que a capitalização é pública”.

Este episódio evidencia uma vez mais o lado perverso da figura do político-comentador que as televisões portuguesas institucionalizaram como criação original. De facto, é difícil perceber como é que um ex-líder de um grande partido e ex-governante se presta a ir para a televisão exibir uma carta “a que teve acesso” (termos usados pelos jornalistas quando usam fontes confidenciais) com mais de um mês de atraso, sobre um assunto considerado melindroso para o sistema financeiro português, sem cuidar de saber se o seu conteúdo tinha entretanto evoluído!

Marques Mendes  fez objectivamente um frete a quem lhe deu a carta ao mesmo tempo que mostrou o seu valor de mercado. Com tão boas fontes Marques Mendes constitui um excelente reforço da secção política da SIC. Certamente a Comissão da Carteira profissional dos Jornalistas não deixará de o registar como um membro da classe.

 

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4 respostas a O lado perverso da figura do “político-comentador”

  1. São ou não são umas “borboletas tontas”? E quando são deve ou não o seu borboletear ser do conhecimento público?
    Isto ainda sobre o texto de Estrela Serrano sobre a oportunidade da divulgação da carta por MM. Não pedi autorização mas fica bem clara a fonte: o texto que a seguir reproduzo, é de Helena Garrido e foi publicado hoje no JN:

    A administração da CGD renunciou ao mandato e no quadro da lei terá de sair para a semana se não lhe for formalmente pedido para ficar. A gestão está reduzida a quatro pessoas. Basta uma não estar e o banco deixa de ter quórum para tomar decisões. Mais de nove mil colaboradores assistem ao anúncio de despedimentos baseados num plano de reestruturação feito fora do banco. Aquela que era para ser a comissão de avaliação da nova administração viu o seu mandato mudar a meio dos trabalhos, levando à demissão dos seus membros. Os cidadãos em geral ouvem o ministro das Finanças falar de um desvio que afinal diz respeito ao plano a três anos da CGD do qual o próprio ministro também é co-autor. Uma carta do BCE, conhecida há quase um mês, acaba por revelar que o processo de aprovação da nova administração, anunciada em Abril, estava ainda em Lisboa.

    Em Abril ficamos a saber que António Domingues, administrador do BPI, seria o novo presidente da CGD. Trazia consigo uma administração com nomes de peso na gestão, na sociedade e na banca. Os elogios foram obviamente muitos e merecidos. António Domingues tem uma longa carreira na banca como administrador financeiro.

    Praticamente na mesma altura, em meados de Abril, foi conhecida a equipa que iria fazer a avaliação da administração. Fernando Teixeira dos Santos, Miguel Pina e Cunha e Vasco d’Orey eram os membros deste órgão que teria um mandato de três anos. Passado um mês sabe-se que afinal Fernando Teixeira dos Santos vai para o BIC e por isso terá de sair da comissão de avaliação que estava obviamente já a trabalhar com a CGD.

    De repente, entre finais de Junho e início de Julho, mudam as regras. A Comissão de Avaliação passa ser temporária em vez de ter um mandato de três anos, como inicialmente tinha decidido o ministro das Finanças. Miguel Pina e Cunha e Vasco d’Orey obviamente demitem-se. E no início de Julho entra em funções uma equipa totalmente nova. A comissão transitória que vai avaliar a independência, competência e idoneidade da administração da CGD é agora composta por Laginha de Sousa, ex-presidente da Euronext Lisboa, Francisco Veloso, reitor da Universidade Católica e Patrícia Lopes da Porto Business School.

    A análise da comissão de avaliação, à equipa e a cada um dos membros da administração da CGD proposta pelo Governo, é por onde começa todo o processo que termina no BCE. A avaliação desta comissão servirá de base para o trabalho que a seguir o Banco de Portugal terá de fazer para enviar para o BCE que terá a última palavra.” fim citação .

  2. Sergio Hegidio diz:

    A senhora tem de facto os tiques próprios do tempo. As pessoas assim vão ficando contra tudo e contra todos. Mas , ao assunto que interessa…
    1. MM não fez frete a ninguém. Teve acesso a uma carta que desmonta a narrativa do governo.
    2. Ao contrário do que Estrela Serrano escreve nada na carta está desactualizado. Basta atentar nas actuais dificuldades em nomear a administração da CGD.
    3. MM é comentador da estação de televisão . Tem acesso à informação que os jornalistas não conseguiram obter e faz uso dessa mais valia . A estação agradece e os espectadores também.
    Ou será que devia estar calado, tendo a informação é sendo livre para a divulgar?

  3. O Mini-Mendes a pagar os favores que deve por não ter sido engavetado (nem sequer molestado) ao ser apanhado com a boca na botija (ou seja, nos Vistos Gold) … a servir de soldado ao terrorismo financeiro que quer ROUBAR a CGD aos portugueses !
    Isto é traição à Pátria.

  4. Eduardo Gastão Ramos diz:

    O dr. Marques Mendes é, provavelmente, o pior deles todos.

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