Paradoxos político-mediáticos em torno de cartas e cartinhas….

cartas“Saber tudo e a toda a hora”. parece ser o lema da era em que vivemos. Em nome da transparência, a política tem de ser feita de portas escancaradas, sem tabus nem assuntos confidenciais. Assim o exige a “regra mediática”. Negociações diplomáticas entre governos e instituições internacionais, documentos reservados ou in progress,  nem pensar! Se há trocas de cartas, queremos conhecer as cartas. Se o assunto das cartas forem bancos e isso for prejudicial  ao sistema financeiro e ao país, paciência… queremos saber tudo na hora!

Mas a “regra mediática” impõe também que tudo o que lemos, ouvimos e vemos seja comentado e que os comentários sejam depois replicados, mesmo que quem comenta não saiba se o que lhe dão a comentar é do domínio da realidade e do concreto ou apenas conjectura, hipótese ou invenção.

Na actual “regra mediática” a Caixa Geral de Depósitos tem sido e vai continuar a ser objecto de devassa pública por exigência do PSD (com a criação da comissão parlamentar de inquérito). A partir daí não mais foi possível parar a devassa. Mas o PSD  grita agora, “que o governo está a vulnerabilizar os bancos portugueses”.

O mesmo aconteceu com as pressões para que o relatório enviado pelo governo a Bruxelas fosse divulgado. Conhecido o seu conteúdo, veio Passos Coelho dizer que as referências do relatório à Caixa Geral de Depósitos e ao Novo Banco constituem uma “destruição de valor nos bancos portugueses”.

O paradoxo resultante de tudo conhecer e tudo publicar e depois criticar as consequências dessa “transparência” levanta a questão de saber em que ficamos: se tudo é para ser conhecido e mostrado na hora, nada pode ser negociado porque negociar é avançar e recuar, exigir e ceder, modificar, aprovar, recusar, ultimar, concordar, discordar… Se em cada fase de um processo tudo for conhecido, comentado e criticado por todos, tudo é princípio e fim, tudo começa e acaba … na hora, para recomeçar novamente. Trata-se de uma falsa transparência que manipula a realidade e conduz à opacidade.

O frenesim político-mediático  em que vivemos só pode conduzir a um cada vez maior descrédito… da política e dos média.

 

 

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2 respostas a Paradoxos político-mediáticos em torno de cartas e cartinhas….

  1. Compreendo a atitude de Passos Coelho,o protagonismo que ele. agora mais que nunca procura obter, tentando assim fazer esquecer, os seus quatro anos de lamentável “governação”. Será verdade que o ex-primeiro ministro considera os que censuram o seu comportamento como dirigente uns, “patetas alegres”? Sentindo-me eu, pelo meu pensamento político, atingido com o “são uns patetas”, para corresponder ao mesmo tipo de linguagem, direi que respondo a um “pavão de aviário”. Quanto à D. Cristas, por quem tenho admiração e respeito, só que desconhecia-lhe a crista de galo que com frequência exibe..Sobre à perda de secretismo dos assuntos políticos abordados no blog o serem discutidos isoladamente, à maneira que vêm, foi a oposição que impôs. É mais fácil compreender as coisas a pouco e pouco e além disso assim,, não é preciso responder-lhes. Carlos Patrício Álvares ( Chaubet)

  2. J. Madeira diz:

    Com efeito a “politiquisse” desenvolvida pelas oposições está nos parâmetros
    descritos! Creio que, tudo se reduz a uma questão de insegurança e desespe-
    ro por parte do Passoilo que, até começou a recorrer a uma linguagem impró-
    pria para quem usa o “pin” de Portugal na lapela … essa dos “patetas alegres”
    é reveladora do estalar do verniz!
    Já a outra oposição liderada pela D. Cristas, continua com os “tiros” de pólvora
    seca, revelando que nada aprendeu com a sua passagem por um governo e,
    cai na demagogia barata e acusações sem serem devidamente provadas o que,
    em próximas eleições bastará um “Tuk-Tuk” para levar o seu grupo parlamentar!!!

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