Passos Coelho e o folhetinista genial

Passos profeta Ferreira Fernandes traça hoje no Diário de Notícias, na sua crónica ficcionada  em forma de folhetim, um retrato de Passos Coelho onde algumas das características da personalidade política do ex-primeiro ministro surgem com uma aproximação à realidade que não encontramos em textos jornalísticos ou biográficos.

O Presidente Marcelo também não escapa à prosa irónica de Ferreira Fernandes, que evoca os tempos em que Marcelo criou a secção “Gente”  do Expresso onde tratava de cenas da vida social e política dos “intocáveis” e onde “ditava noticias a duas ou três secretárias ao mesmo tempo” e “criava um facto politico enquanto tomava notas para um editorial”. É a ficção a trazer-nos Marcelo tal como era e a recordar-nos que por detrás do Presidente “dos afectos” há um Presidente que se diverte a fazer  política.

Mas é sobre Passos Coelho que Ferreira Fernandes mostra como a ficção pode constituir uma importante fonte para o estudo da História, revelando características pessoais dos actores políticos, impossíveis de encontrar em discursos ou documentos oficiais.

Na ficção de Ferreira Fernandes há o Passos vendido pelo marqueteiro brasileiro nas últimas eleições legislativas “como um ser simples, regrado – enfim, o modesto Passos” de Massamá;  há o Passos a comprar um sofá em promoção no IKEA, e não compra logo, vai para casa pensar… ” como faz a gente ponderada.

Diz o ficcioniata que o Passos criado pelo guru brasileiro obedecia a um plano “apesar da vulgaridade ser autêntica”, mas quando o guru se foi embora Passos ficou sem plano. “Os cantos da boca descaíram e fixaram-se por aí. Tornara-se todo ele um homem sofrido (não era só com as escolhas de sofás no IKEA), e se isso lhe ia bem entre dois sacos de plástico, frente aos microfones transformava-o num profeta da desgraça.”

Depois do anátema lançado por Passos: “Mas quem é que põe dinheiro num país dirigido por comunistas e bloquistas?” o ficcionista Ferreira Fernandes prevê que “o fotógrafo das calamidades”, Sebastião Salgado, apareça por cá e lhe ponha um cartaz ao pescoço com a frase “O Fim Está Próximo!”, e lhe faça  o retrato oficial.

A ficção de Ferreira Fernandes em forma de folhetim, é  um fresco genial do momento político actual. O episódio de hoje dedicado a Passos Coelho, com o título “Passos arrisca-se à fotografia” é um retrato certeiro  de um político que tendo chegado  a primeiro-ministro sem perceber como funciona a democracia, não foi capaz de  encontrar o seu lugar quando foi arredado do poder.

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2 respostas a Passos Coelho e o folhetinista genial

  1. Pelo que leio, esperavam mais de P.Coelho do que seria de esperar ou exigir. O que me admira muito. Afinal quem era P.C. ? Um jovem sem predicados especiais mas atrevido e ambicioso. Também com uma boa voz e figura. Bastou para seduzir um PSD carente de chefia. Seguiram-se quatro anos de governação de má memória e, para nosso bem, Passos .Coelho. saiu.
    Marcelo Rebelo de Sousa que passou a dirigir o destino do País, fazendo dupla com António Costa, tratam agora, com dificuldade e morosidade forçada, pela dificil colaboração com os partidos que os apoiam e a hostilidade de PSD e CDS, resolver da melhor forma, os problemas que o governo de Passos Coelho criou. E com força de vontade e colaboração dos que amam realmente Portugal, voltaremos a ser o País que tanto amamos. Carlos Patrício Álvares (Chaubet)

  2. JS diz:

    Passos Coelho como PM foi forte para com os indefesos e fraco ao negociar com os poderosos.
    Tributou mal e exageradamente para tentar compor incomportáveis contas.
    Não se atreveu a tocar no monstro eleitoral. Este preferiu a sua área de conforto, a esquerda. Preferiu e preferirá com (o mesmíssimo, senão já pior) Passos na disputa eleitoral.
    Ou o PSD encontra um campeão que mobilize orfãos e descrentes, ou a “Europa -“, e os tempos que correm, ditarão os factos, a realidade, assim que a hecatombe esquerdista desorganizadamente ruir.

    Saídas deste impasse ?.
    Eleger uma AR coerente, íntegra, conservadora. Tarefe impossível, diga-se, com a presente Lei Eleitoral. PS e PSD sugarão tudo, até ao tutano. Mas divaguemos….

    “If you please”, mais uma vez, como é tradição, pedir ajuda à Inglaterra porque os nossos vizinhos por vezes têm apetites, para resolver os seu problemas. Veja-se a “venda” do Totta ….

    Preparar, organizadamente, um novo escudo com paridade à Libra Esterlina. É que livre de Bruxelas o Reino até se está, e estará cada vez mais, a comportar (óbviamente) muito bem, no seu pós-Brexit.
    E quanto à dita, à que resta “União Europeia -“, convenhamos, sempre foi, é e será, outra Liga.

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