Na “aula” dos jotinhas o “professor” não sabia ao que ia

Jotinhas na EscolaAs chamadas “universidades de verão” ou “escolas de quadros” dos partidos políticos servem para os convidados ganharem uns minutinhos nos telejornais. Os que pertencem à área política aproveitam a ocasião para ganharem protagonismo e darem nas vistas nos respectivos partidos, à espera do reconhecimento dos líderes. Já quanto aos convidados fora da política, custa a perceber o interesse em frequentarem essas ditas universidades e escolas, a não ser que precisem de ser conhecidos e não disponham de muitas ocasiões para isso. Alguns destes, menos experientes, caem em autenticas ratoeiras. Deslumbrados pelo ambiente de fervor partidário e comicieiro que se vive nesses eventos enveredam por discursos e confidências feitas à medida da audiência que têm pela frente. Por vezes, não se dão conta de que aqueles eventos são feitos para os jornalistas e estes, por definição, vão lá à espera de declarações susceptíveis de causar polémica.

Foi mais ou menos isto que aconteceu ao director do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), António Filipe Pimentel, quando, convidado para falar na Escola de Quadros do CDS-PP, disse aos “jotinhas” que  “um destes dias há uma calamidade no museu” porque se anda a “brincar ao património”. 

Surpreendido com o efeito das suas palavras, António Pimentel confessou que não sabia que estavam jornalistas na sala e  explicou que as suas declarações foram feitas “num contexto de aula”, em que um professor “fala academicamente de casos práticos”, acrescentando  que “se soubesse [que havia jornalistas na sala] teria falado em outro registo.”

O director do MNAA ou é muito ingénuo e pensa que as universidades e escolas dos partidos são universidades e escolas a sério ou não sabe o que são universidades. É que as suas palavras aos jovens centristas sobre as “calamidades” que esperam o  museu nada têm de discurso académico. Sendo legítimas e porventura verdadeiras enquadram-se perfeitamente na filosofia dessas universidades e escolas, isto é, criar factos políticos contra ou a favor do governo (conforme quem as organiza) e conseguir com isso espaço mediático.

Se António Pimentel, aliás um excelente director do MNAA, queria denunciar uma “calamidade” iminente no seu museu,.poderia ter convocado uma conferência de imprensa ou escrito um artigo num jornal ou suscitado uma entrevista numa televisão ou numa rádio. Ou, o que seria mais lógico, alertar o ministro da Cultura. Ao escolher um evento partidário para o fazer, partidarizou uma questão que merecia ser tratada com seriedade.

A crer nas suas palavras ao Público, o director do MNAA foi dar a aula aos “jotinhas” do CDS  sem saber ao que ia. É que nem se trata de “aulas” nem os “jotinhas” estão lá para aprender.

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Uma resposta a Na “aula” dos jotinhas o “professor” não sabia ao que ia

  1. Este orador, ainda me merece alguma “compaixão” até por ser o seu comportamento típico dos “laranjinhas”.– Quando abrem a boca, ou entra mosca ou sei asneira. Também não tem importância. Os que estão presentes foram só para fazer número. Até por saberem que ali nada aprenderiam. Chaubet

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