Critérios jornalísticos, pois claro!

EXpresso logo

O Expresso publica este sábado numa das páginas de opinião (disponível só para assinantes) uma carta aberta do ministro da Ciência, Tecnologia  e Ensino Superior, Manuel Heitor, sobre a abertura do  ano académico e a recepção aos novos alunos, na qual o ministro convida os cidadãos em geral e a comunidade académica em particular a colaborarem na integração e dignificação dos novos estudantes. Referindo-se às praxes académicas, o ministro refere que o ingresso no ensino superior  tem sido marcado por práticas contrárias aos ideais da liberdade, crítica e emancipação dos jovens, estando associado a situações que nada têm a ver com esses ideais”.

O ministro vai, porém, mais longe e numa decisão inédita anuncia, entre outras iniciativas, que “deu instruções à Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) para que “apoie a realização de acções de índole científico-cultural destinadas à integração dos novos estudantes através da autorização de despesas pelas Unidades de Investigação, a desenvolver em parceria com as associações de estudantes”, até 5% dos seus orçamentos plurianuais”.

O Expresso não deu qualquer relevo à carta aberta  do ministro, o que é inexplicável num jornal de referência. O caso é notório dado que na mesma edição o Expresso faz uma chamada de primeira página para o livro  do ex-assessor do ex-presidente Cavaco Silva, Fernando Lima, a sair nos próximos dias, no qual, a crer nos excertos divulgados, Lima acusa o seu antigo chefe, a propósito do caso que ficou conhecido como “as escutas a Belém” de ter “receado mais ataques socráticos”.

Não sei se o Expresso desvalorizou a carta aberta do ministro Manuel Heitor por não a ter lido ou por se tratar de um texto de opinião. Porém, o seu conteúdo teria merecido aprofundamento  jornalístico se o interesse público e os valores de um jornal de referência tivessem prevalecido sobre a fofoca política. Não foi, porém, isso que se verificou e a intriga política prevaleceu sobre o apoio aos novos estudantes do ensino superior.

Critérios jornalísticos são isto mesmo; escolhas que não precisam de explicação….”

 

 

 

Esta entrada foi publicada em Educação, Imprensa, Jornalismo, Política, Sociologia dos Média. ligação permanente.

2 respostas a Critérios jornalísticos, pois claro!

  1. Carlos Serra diz:

    As praxes com bebedeiras e comas alcoólicos, proporcionam melhores manchetes:

  2. J. Madeira diz:

    Há muito que, o “Expresso” deixou de ser um jornal de referência antes se transformou
    num orgão de comunicação que parece substituir o “Povo Livre” do PSD!
    O mesmo se passa com a estação de televisão do mesmo grupo económico, com a des-
    proporção dos tempos destinados às iniciativas partidárias, o PSD é líder absoluto!!!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s