Jornalistas e comentadores: alguém diga “o rei vai nú”

marques-mendes-sicAssino por baixo este artigo de André Macedo, intitulado “As fatwas de Marques Mendes”, publicado hoje no Diário de Notícias, no qual o autor questiona a ligeireza e superficialidade (palavras minhas) com que Marques Mendes usa o “chapéu” de comentador para destruir reputações, atacar  ou  promover pessoas, de acordo com interesses pessoais ou políticos, misturando informação (a que diz ter tido acesso) com opiniões pessoais, sem cumprir qualquer das regras aplicáveis a quem pratica o ofício de informar, isto é, aos jornalistas.

Como bem salienta André Macedo, Marques Mendes é além de comentador de televisão conselheiro de Estado. Ora, não é prestigiante para um órgão de aconselhamento do Chefe de  Estado ter entre os seus membros personalidades que usam os media para cultivarem e alimentarem a intriga política. Convenhamos que ser pago por uma televisão para “demitir” ministros e propagar boatos e conversas nascidas  e alimentadas nos corredores da política e dos negócios não é eticamente aceitável. O actual Presidente deve saber do que fala André Macedo.

André Macedo, ele próprio membro da direcção de informação dda televisão pública, tem razão ao questionar o predomínio da opinião sobre a informação que hoje invade os media. Mas os principais responsáveis pela promiscuidade a que chegou o comentarismo político em Portugal são os directores das televisões e de outros media que pagam a ex-políticos para que substituam oa jornalistas na função de informar e analisar a actualidade, em troca de almejadas audiências e passando por cima de regras básicas, como sejam, para citar André Macedo, “sem ter de citar qualquer fonte, sem situar a origem da informação, sem essas maçadas todas que teoricamente fazem da informação o que é suposto ela ser: factos pesquisados, verificados e documentados, não apenas ouvidos a meio de um repasto. (…) uma espécie de licença para matar – matar reputações, moer outras, promover algumas pelo caminho”.

Deverão então os responsáveis dos media e os jornalistas em geral  interrogar-se sobre se valerá a pena alienarem  funções que só os profissionais devem exercer, introduzindo padrões de exigência ética e de transparência na escolha dos colaboradores, que deverão respeitar regras e não disporem,  como refere André Macedo, de uma espécie de licença para matar – matar reputações, moer outras, promover algumas pelo caminho”.

Caso contrário, é o jornalismo que vai morrendo às mãos dos próprios jornalistas.

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2 respostas a Jornalistas e comentadores: alguém diga “o rei vai nú”

  1. J. Madeira diz:

    Admiti que, o Presidente Marcelo tivesse mantido o Ganda Nóia no Conselho
    de Estado porque lhe podia se útil dizendo o que ele não pode e ter um micro-
    fone numa estação de televisão! Por outro lado, dá-lhe um “chapéu” que lhe
    proporciona ampla protecção em termos de Justiça a tal imunidade do cargo!
    Até alcançar o estatuto de comentador o mini MM tem que comer muitas azei-
    tonas por enquanto, é mais um alcoviteiro que diz coisas!!!

  2. carlosalvares diz:

    No dia 6 de Outubro de 2016 escrevi:

    Quando querem dar uma opinião que pode não agradar ao jornal em que > normalmente escrevem, tratam de arranjar outro jornal para o fazer. Neste, > expressam então a opinião que não lhes convinha apresentar naquele de onde > saíram. Confuso? Não….”espertalhufice”. Vejamos: – Vários jornalistas > ou candidatos a tal, expoem a mesma opinião nos órgãos de informação por > onde forem passando,Assim valorizando a opinião que querem expandir. Mesmo > que seja mentira, lida em vários órgãos de informação, passa por verdade. O > leitor desprevenido dirá: “é assim é ! vem em todos os jornais”.Marq E a > tal “DANÇA DAS CADEIRAS” de que fala,que proporciona todo este jogo. > > Carlos Patrício Álvares (Chaubet) >

    No dia 22 de outubro de 2016 às 20:59, VAI E VEM escreveu:

    > estrelaserrano@gmail.com publicado: “Assino por baixo este artigo de > André Macedo, intitulado “As fatwas de Marques Mendes”, publicado hoje no > Diário de Notícias, no qual o autor questiona a ligeireza e > superficialidade (palavras minhas) com que Marques Mendes usa o “chapéu” de > comentador pa” >

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