A desonestidade a que chegou o debate público

ministro-da-educacaoA discussão em torno  das “licenciaturas falsas” do ex-chefe de gabinete do ex-Secretário de Estado da Juventude e Desporto é um exemplo paradigmático da vacuidade e desonestidade a que chegou algum debate público em Portugal. Pior que isso é esse debate ser sobretudo alimentado por jornalistas e comentadores através de títulos e manchetes bombásticos que depois de esprimidos resultam em nada. Desta vez não são as redes sociais, é o jornalismo tradicional a alimentar um debate viciado.

Vejamos: O Secretário de Estado demitiu-se em desacordo com o ministro e na altura não falou em licenciaturas falsas ou coisa parecida. O caso ganhou relevância quando o ex-secretário de Estado  deu uma entrevista ao Observador e este escreveu que o ministro da Educação sabia que o  chefe de gabinete não era licenciado e mesmo assim teria impedido que o ex-secretário de Estado o demitisse. Seria grave se assim tivesse sido. Mas afinal o ex-ecretário de Estado que falou ao Observador  diz agora que não disse que o ministro sabia, ao contrário do que o  Observador escreveu.

O ministro negou categoricamente que soubesse das licenciaturas falsas. Acontece, porém que o jornal i, veio dizer que havia uns emails que provavam que o ministro impediu a demissão do chefe de gabinete. Repare-se bem: nessa notícia já não se ataca o ministro por saber das falsas licenciaturas mas sim por ter defendido que o chefe de gabinete não fosse demitido por estar de baixa com  a mulher muito doente.  Isto nada tem a ver, portanto, com as falsas licenciaturas.

Eis agora a SIC a anunciar com grande estrondo uma entrevista ao secretário de Estado em que este fala (ou mostra) os tais emails…. Mas quais emails? Os que provam que o ministro sabia das licenciaturas falsas? Ou os emails em que o ministro diz ao secretário de Estado para não demitir o chefe de Gabinete enquanto ele estiver de baixa por  a mulher estar muito doente?

O que está afinal a ser discutido? A interferência do ministro na demissão do chefe de gabinete enquanto este se encontrava de baixa ou o conhecimento do ministro das falsas licenciaturas do chefe de gabinete?

Será que os jornalistas não se questionam sobre estes processos indecorosos de manipular os factos e confundir os cidadãos? Não haverá outras maneiras de questionar o trabalho do ministro e do seu ministério sem passar por este tipo de intriga barata e desonesta?

Mais: está vedado a um ministro discutir, questionar ou sugerir um funcionário a um membro da sua equipa? Pois eu acho que não está e penso até que o ministro agiu com humanidade ao sugerir que não se demite um funcionário quando ele está de baixa por motivos de doença grave da mulher.

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6 respostas a A desonestidade a que chegou o debate público

  1. Virgílio Manuel Silva diz:

    Isto só vem demonstrar que, alguns PASKINS, não tem razão para existirem e, os chamados JORNALISTAS, não passam de uns JORNALEIROS que, alimentam mentiras e trapaças para substirem. Quanto à SIC, cujo DONO é o CHEFE DA MAÇONARIA DO PSD, sendo seu PRESIDENTE HONORÁRIO, deveria estar preso há muito tempo, por ser um dos mentores do ATENTADO DE CAMARATE.

  2. Manuela Goucha Soares diz:

    Eu creio que o que está a ser discutido é a questão das falsas informações. O resto é embrulho e poeira, agora as falsas informações não são poeira

  3. J. Madeira diz:

    Desconhecia o e.mail mencionado mas, serve para mostrar a qualidade não só dos
    “jornalistas” como dos politiqueiros que, como não conseguem apanhar os “pokemones”
    tudo lhes serve para tentar tirar proveito político de situações normais! São os chamados
    “idiotas úteis” criados nas jotas e os velhos corticeiros de palavra solta!

  4. llopes49 diz:

    Qual é a admiração da postura do Observador ?. É igual a eles mesmo.

  5. A falta de cultura ou de imaginação, leva esses “jornalistas” feitos à pressa a agarrarem-se a tudo para dar nas vistas. O que aqui escreveu, é uma prova disso. Que se há-de fazer?…..Parece-me que é ocasião para desabafar “MUNDO CÃO”. Carlos Patrício Álvares

  6. José Antonio Cerejo diz:

    Para meu espanto, ES escreve alguma coisa que subscrevo a 100%. É uma vergonha a maneira como este assunto tem sido tratado por quase todos os que o têm abordado.

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