Elogio do PCP

pcp-de-pe-reis-de-espanhaO PCP criticou a escolha de Paulo Macedo para presidir à Caixa Geral de Depósitos, o que, aliás, é coerente com as críticas que lhe fez enquanto anterior ministro da Saúde. Contudo, o PCP sabe que essa demarcação não ameaça o apoio parlamentar que dá ao governo, baseado no acordo assinado entre as duas partes.

O PCP é um partido responsável, concorde-se ou não com a sua visão do País e do mundo. Jerónimo de Sousa tem sabido imprimir ao PCP uma liderança mais afectiva e próxima do povo, depois da liderança carismática e intelectual de Cunhal e a apagada sucessão de Carvalhas. Quem não se lembra da imagem de Jerónimo na campanha presidencial de 2009 em que era candidato, dançando alegre e descontraídamente?

Recentemente, o PCP teve ocasião de mostrar uma vez mais que sabe distinguir o trigo do joio. Falo da visita dos reis de Espanha à Assembleia da Repúlica quando os deputados do PCP se perfilaram  de pé após o discurso do rei de Espanha. Também a presença do PCP na fila de cumprimentos a Filipe VI e a Letícia no final da sessão foi um gesto de inteligência e cortesia. Os deputados do PCP não aplaudiram o discurso do rei, é certo, mas isso era expectável e o contrário seria até uma hipocrisia porque as posições do PCP sobre alguns do temas abordados pelo monarca são distintas e conhecidas. Com a sua coerência e sentido de Estado, o PCP mostrou uma enorme dignidade e disse aos portugueses que não confunde ideologia e visão partidária com o acolhimento institucional e o respeito devido ao chefe de Estado de um País amigo que visita a “casa” da República na qual o PCP é um dos anfitriões.

O PCP já tinha, aliás, dado um sinal da sua maturidade política quando recusou votar favoravelmente a proposta de alteração apresentada pelo PSD  que obriga os administradores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) a apresentarem as declarações de rendimentos no Tribunal Constitucional (TC), recusando assim colaborar  na chicana política que foi a votação de uma “lei inútil” como lhe chamou, com razão, Jerónimo de Sousa.

Quando António Costa disse ao Público  “Gosto do Jerónimo de Sousa e gostarei do Jerónimo de Sousa sempre qualquer que seja a função“, sinalizou precisamente  o reconhecimento da lealdade que encontrou no líder do PCP durante o processo negocial que levou à formação do governo.

Por tudo isto e muito mais, o Congresso do PCP constitui um acontecimento político da maior importância para o País e não apenas para o partido, assim os jornalistas o reconheçam e lhe dêem a cobertura mediática merecida, sabendo interpretar as posições que vierem a ser manifestadas, sejam elas críticas ou não, separando, também eles, o trigo do joio.

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3 respostas a Elogio do PCP

  1. Tem estado muito bem o PCP.
    A fazer-me pensar que merece ser premiado … qualquer dia destes … numas eleições por aí …

  2. F Soares diz:

    Relativamente ao seu ultimo paragrafo, acho que está a pedir demais aos seus colegas. A maior parte são opinadores mascarados de jornalistas ( provavelmente enganados) e comandados de cima ( também comem e tem família), logo, isenção, é com certeza o que não vai haver. O lema será “tudo pela negativa, nada pela positiva”.

  3. carlos.p diz:

    se estamos à espera do reconhecimento jornalístico, estamos certamente enganados no país

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