Achegas para ajudar o PSD, o CDS e algum jornalismo a descobrirem a “verdade”

foto Daniel Rocha

foto Daniel Rocha

O PSD e o CDS andam às voltas com os conceitos de “verdade” e de “mentira” a propósito de alegadas promessas que o ministro Mário Centeno teria feito ao ex-gestor da Caixa Geral de Depósitos, António Domingues.

Recuando um pouco no tempo, verifica-se que ambos os conceitos são de geometria variável conforme que acusa e quem é acusado de mentir. Sobre isso escrevi abundantemente neste blog.Vejamos alguns desses textos já que os há para todos os gostos:

A verdade no caso Tecnoforma (que envolveu Passos Coelho)

A preocupante relação de Maria Luís Albuquerque com a verdade (no caso BES, Swaps, entre outros)

A verdade segundo Paulo Portas: a demissão irreversível , os aumentos de pensões que não existiram, as mentiras sobre a TSU

A verdade jornalística que também varia conforme os protagonistas

E, já agora,  os conceitos dse “verdade” e de “mentira” segundo as teorias da comunicação política:

A “verdade” em política não é a “verdade” do tribunal nem  a “verdade” jornalística. Em política, o que é hoje verdade pode não o ser amanhã. No tribunal, a verdade é a verdade material, no  jornalismo, a “verdade”  é a verdade a que  o jornalista chegou com os dados que recolheu e apresenta no momento  em que  publica.

Os teóricos da comunicação política estabelecem uma escala decrescente para a verdade e a mentira, que definem assim:

Alguma fuga à verdade/meia-verdade:  situação em que não é possível dizer tudo, entendida como justificável em nome do  interesse público;

mentira honesta: é uma mentira no interesse público. Relaciona-se com casos que envolvem segurança nacional, assuntos de natureza económica como desvalorização da moeda, decisões monetárias que possam levar a concentração de riqueza (os americanos exemplificam esta tipologia com a mentira da administração Carter  para proteger uma operação de resgate no Irão);

mentira involuntária: é produzida sem intenção de enganar ou desviar a atenção do interlocutor;

grande mentira: é a mentira deliberada e consistentemente arquitectada sobre uma matéria relevante. É o grau mais grave da mentira, a única a ser vista como ameaça ao direito à informação.

 

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