Lendo bem, a “Nota” do Presidente é um elogio a Centeno

marcelo-escreve-notaDiz o Diário de Notícias de hoje que o Presidente sentiu-se traído na confiança que depositou no ministro” [Mário Centeno]. E o Expresso e a SIC dizem que o Presidente “sabia do pacto de silêncio sobre decreto da CGD“. São notícias sem fontes identificadas mas oriundas de Belém.

Ora, se o Presidente “sabia” que  havia omisão da Lei que obrigava Domingues a declarar patrimonio ao TC porque não esclareceu logo a questão? E se “se sentiu traído” pelo ministro porque veio fazer uma “Nota” oficial a dizer que  “aceitou” a “confiança no Senhor Professor Doutor Mário Centeno” “atendendo ao estrito interesse nacional, em termos de estabilidade financeira”.

É que apesar de muitos  verem nessa nota um raspanete ao ministro Centeno, que maior elogio pode um Presidente fazer  a um ministro do que dizer  que a sua manutenção em funções é de “interesse nacional ” e tem a ver com a “estabilidade financeira”? Que me lembre nenhum outro presidente ligou assim directamente um ministro ao “interesse nacional” e à “estabilidade  financeira” do País!

Conhecendo os desenvolvimentos da história, sobretudo  os sms que Lobo Xavier terá mostrado ao Presidente, (não sabemos se os Presidente os leu directamente no telemóvel de António Domingues ou se foram reencaminhados por este para Lobo Xavier ou se a operadora de António Domingues os facultou), percebe-se ainda melhor o conteúdo da  “Nota” do Presidente. O Presidente apoiou Centeno como apoiou António Costa porque ambos partilharam com ele todas as fases do processo de recapitalização da Caixa que era para eles o mais importante. Por iso é absurda a ideia de que o Presidente deu raspanete a Centeno.

Também não é de somenos importância a revelação da ex-directora-geral do Tesouro e Finanças ao Jornal Económico de que “não recebeu nenhum pedido específico por parte do Ministério das Finanças para a realização de uma análise ou levantamento sobre a isenção de apresentação das declarações de rendimentos e património ao Tribunal Constitucional (TC) da administração da Caixa”.

A história continua mal contada. Tendo em conta tudo o que foi publicado, Centeno é o bode expiatório e talvez tenha sido o mais ingénuo. Mas cabe perguntar se ninguém avisou Domingues de que Centeno não manda no TC e que mesmo que quisesse não podia comprometer-se em nome deste. Nem mesmo  o seu amigo Lobo Xavier, jurista de profissão o ajudou neste imbróglio?

 

 

 

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