O “pio” de Cavaco

Cavaco Silva foi à Universidade de Verão do PSD dissertar sobre o “pio” e ele próprio piou que se fartou. Ao fim de todo este tempo, em que se remeteu ao silêncio e à meditação, era suposto que Cavaco viesse com ideias frescas. Porém, Cavaco recuperou o ressabiamento e o azedume que caracterizaram os anos em que foi Presidente e disparou contra o Governo e os seus parceiros, contra  os jornalistas e até Marcelo apanhou por tabela com remoques indirectos à verborreia frenética da maioria dos políticos dos nossos dias embora não digam nada de relevante” .

Na preleção aos jovens do seu partido, Cavaco recuperou os fantasmas que o afligiram no final do seu mandato  e o levaram a resistir até ao fim a nomear António Costa, com medo daqueles que segundo ele queriam “realizar  a revolução socialista” mas que afinal  acabaram por “perder o pio ou fingem apenas que piam”.

Cavaco não disfarçou o desprezo com que encara a função política, como se ele não tivesse sido tudo o que um político pode ser de mais relevante – ministro, primeiro-ministro e presidente da República.

As suas críticas “à promiscuidade no relacionamento com jornalistas”, a quem recusa “confessar-se”, só podem ser vistas com perplexidade ou não tivesse sido ele o protagonista do maior escândalo provocado precisamente pela  promiscuidade entre o seu gabinete e o jornal Público, como foi o célebre caso das “escutas a Belém“.

O PS respondeu com ironia ao “pio” de Cavaco, dizendo que ele “devia ter piado mais quando era Presidente”. Mas o problema de Cavaco-ex-Presidente  é igual ao problema de Cavaco-Presidente: uma grande arrogância, um  enorme desprezo pelos políticos e uma notória falta de consideração pelos jornalistas que ele considera agirem em função de quem lhes passa notícias.

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Uma resposta a O “pio” de Cavaco

  1. Fernando Nunes diz:

    Mais uma vez Cavaco Silva vem fazer uma análise política assertiva e verdadeira, que incomoda os medíocres, mentirosos e populistas. Grande Estadista.

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