Antevisão da paisagem mediática no pós-venda de um canal da RTP….

- O ministro Miguel Relvas confirmou a determinação do Governo de enfraquecer o operador público de radio e televisão, amputando-o do seu canal mais importante, ao anunciar novamente a venda de uma licença da RTP (trocando por miúdos, a venda do canal 1) até final deste ano, não se sabe em que condições e mediante que enquadramento legal.

Juntem-se os dados e temos a paisagem quase composta.

 Expresso/Economia (17/03/2012)

 

Leia-se o seguinte:

-  “O valor do mercado da publicidade caiu 40 por cento em 2011 em comparação com o ano de 2008. (…) Num cenário de privatização da RTP essa queda seria de 50 por cento”. (Pedro Norton, vice-presidente do grupo Impresa)

“Em 2010, metade das 12 [principais] empresas [de media] apresentava prejuízo” (Fórum de Jornalistas)

“Os 10 maiores anunciantes em comunicação social concentravam, em 2010, 24,5 por cento do total do mercado publicitário” (Fórum de Jornalistas).

 “Há empresas de media com objectivo de influência política e branqueamento de capitais (Francisco Pinto Balsemão)

“(…) quem tenha muitos milhões (ou, melhor ainda, consiga que a banca lhe empreste muitos milhões, mesmo que não faça tenções de os pagar) pode gastar alguns milhões por ano em empresas de comunicação social que nunca ganharão dinheiro, mas cujos media serão úteis ao cumprimento de objectivos dos milionários proprietários (…)  podem ser de influência política, de preparação do terreno para outros negócios noutras áreas, de promoção social e cultural, de branqueamento de capitais, etc., etc”. (Francisco Pinto Balsemão, op. cit.)

Conclua-se, então, sobre a paisagem mediática no período pós-venda de um canal da RTP:

- um operador público fraco e dependente das “esmolas” do Governo;

- operadores privados falidos, à míngua de receitas publicitárias e sem alternativas de financiamento, programação pobre, informação “contida”;

- forte presença de capitais estrangeiros, nomeadamente angolanos, no sector da comunicação social  e  nas estruturas accionistas de grupos nacionais (Bancos, Energia, Tóbis…) com capacidade de influência sobre o poder político.

- aumento dos despedimentos e consequente enfraquecimento do grupo profissional de jornalistas, sem capacidade de auto-regulação e de autonomia face aos grupos que os empregam.

- enfraquecimento da regulação e da co-regulação do sector dos media, e abaixamento drástico da qualidade da programação audiovisual.

A antevisão é sombria…mas está escrita nas estrelas….a não ser que….

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