Daniel, o menino de sua Mãe

Daniel a casaA história do pequeno Daniel é o retrato de uma parte do País que só chega aos écrans das televisões e às páginas dos jornais quando acontecem coisas tristes como as que aconteceram ao Daniel.

O pequeno Daniel, um menino “louro e de olhos verdes”, como diziam os repórteres,  terá sido raptado e largado num descampado onde um homem o encontrou e entregou às autoridades. Durante os dois dias em que esteve desaparecido, ouvimos nas televisões autoridades da região insinuarem que os pais do Daniel eram suspeitos. As imagens mostravam a miséria em que vive o pequeno Daniel e a sua família. São 8 pessoas entre as quais 3 crianças com cerca de 300 euros mensais da Segurança Social, numa “casa” que só por não haver outra palavra se pode chamar casa. Tudo contribuía para que a suspeita de que o pequeno Daniel tivesse sido vítima de abandono ou venda tivesse verosimilhança.

O Pai do pequeno Daniel parecia revoltado com as suspeitas sobre a sua pessoa. A princípio, falava com os repórteres mas depois alguém o mandou calar. Entretanto, notícias falavam de antecedentes com a justiça envolvendo o Pai do pequeno Daniel. Era mais uma nota na suspeita levantada contra o jovem Pai. A Mãe do Daniel, uma bonita jovem, parecia mais desenvolta que o marido e teimava em afirmar que o seu filho fora raptado. Depois de encontrado o seu menino, vimo-la agradecer ao raptor pela televisão não o ter maltratado e tê-lo deixado num sítio onde alguém o encontraria, como aconteceu. Era uma Mãe feliz, não podia ter sido ela a abandonar o seu menino.

Daniel a dormirE, entretanto, o pequeno Daniel, louro e de olhos verdes, surgia perante as câmaras no sono de menino, lindo como um anjo, fotografado numa cama do hospital onde está a ser acompanhado. Já o tinhamos visto antes numa fotografia, quando toda a gente andava a sua procura. Mas assim, dormindo na cama do hospital, não é vulgar ver um menino que foi raptado. As televisões e os jornais costumam proteger o rosto das crianças vítimas de crimes, excepto quando, como no caso do pequeno Daniel, era preciso vê-lo para o poder encontrar.

Mas assim, dormindo de olhinhos meio abertos como quase todos os bébés, numa cama de hospital, terá sido mostrado para acreditarmos que tinha sido encontrado? Ou só porque sendo tão lindo era mais susceptível de ser roubado?

 

 

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Esta entrada foi publicada em Jornalismo, Mãe, Sociedade, Sociologia dos Média. ligação permanente.

Uma resposta a Daniel, o menino de sua Mãe

  1. Franco diz:

    SEM COMENTÁRIOS !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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