Sobre o novo programa de debate da RTP

As palavras e os ActosO novo programa de debate  da RTP1 – “As palavras e os actos” – vai na terceira edição. Por enquanto, dos objectivos invocados pelo director de Informação, Paulo Dentinho, e pelo moderador, Carlos Daniel, só um foi plenamente atingido: como afirmou o director, trata-se do “único programa de debate político em prime time de todas as televisões generalistas“.

Quanto aos convidados, disse Carlos Daniel que a “aposta é trazer políticos, mas também politólogos, comentadores, economistas, gente que já esteve na política, mas que saiu, gente que nunca foi da política, mas que tem opinião sobre o que está a acontecer no país”, Diria, no que se refere aos políticos,  que não existe até agora inovação, a não ser  no facto de variarem todas as semanas. Esse é um dado positivo. Porém, são os mesmos de sempre, alguns dos quais têm contrato fixo com outras televisões – Nuno Melo, João Galamba, Paulo Rangel, Francisco Assis. As novidades até agora foram Mariana Mortágua e Alberto João Jardim, este escolhido para “cabeça de cartaz” da primeira edição do programa. 

No que se refere aos convidados-jornalistas, também não há novidade: José Manuel Fernandes e André Macedo, convidados no primeiro e terceiro programa, são presenças frequentes nas televisões, além de colunistas habituais nos jornais que dirigem. Pedro Arroja, economista, foi até agora o único convidado  exterior ao campo político e ao campo dos media. Mas ainda assim é um colunista conhecido de dois jornais económicos.

Dir-se-ia que para além dos protagonistas habituais do espaço mediático, não existem no País pessoas capazes de discutir ideias e apresentar pontos de vista num programa de televisão. Descobri-las  é um desafio que se coloca à RTP, que por ser uma estação pública pode e deve arriscar em novos valores, não apenas nas áreas da política e dos media mas também noutros sectores. Como disse ao DN Carlos Daniel, gente “que acrescente conhecimento. que acrescente motivos para as pessoas pensarem naquilo que é o país e no que querem para ele”.

Os protagonistas que têm frequentado o programa nada acrescentaram aos temas em discussão porque escrevem e falam quase todos os dias nas rádios, nos jornais e noutras televisões sobre esses e outros assuntos.

Também os temas escolhidos  – Presidenciais, Privatizações, Alternativa – não saem da agenda do dia, o que, no momento pré-eleitoral que vivemos,  leva os políticos convidados a reproduzirem os clichés que usam nos debates parlamentares. Em vez de uma discussão distanciada das quezílias parlamentares, o que vemos é a habital troca de acusações e picardias entre partidos.

O papel dos jornalistas convidados não é claro para o telespectador nem confortável para os próprios. No primeiro programa, José Manuel Fernandes foi várias vezes questionado e contrariado por Jardim. No terceiro programa, André Macedo comentou o tema e assistiu à troca de acusações entre os deputados europeus do PSD, PS e PCP – Paulo Rangel, Francisco Assos e João Ferreira.

Carlos Daniel é um jornalista polivalente e de créditos firmados. Introduz ritmo no programa, treinado que está no controle dos tempos. Porém, o segredo do sucesso do programa está na escolha dos convidados e dos temas. Encontrar um equilíbrio entre gente com  discursos e posturas novas e gente com percurso feito, capaz de atrair públicos.

A escolha dos temas não é tarefa fácil. Ai também é necessário balancear entre alguma actualidade e o aprofundamento de ideias não imediatamente ligadas à actualidade. Em suma, privilegiar as problemáticas em vez dos acontecimentos.

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6 respostas a Sobre o novo programa de debate da RTP

  1. João Maia diz:

    Quem é que quer debater com um vulgar «comentador da bola»? Então acha-se normal que «homem (das meninas) de paredes», seja comentador desportivo…. (embora neste caso ele acumule – faz de comentador e de pivot do programa – assim uma espécie de MMG ) mas dizia eu, comentador desportivo, apresentador de telejornais e agora lidera um um programa de cariz político para o qual não tem nenhuma competência? (além da gadagem,claro). Mas não existe mais ninguém na RTP?…. Não o «fazedor» de livros a peso (JRS)serve? Aja paciência !……

  2. j.azevedo diz:

    joao ferreira, fala todas as quintas feira na antena um se não estou enganado no dia.é do pcp e como tal segue a linha stalinista do partido.prometem o melhor dos mundos na oposição e no poder é o que todos conhecemos.cuba vai cair nos braços dos eua (que contentes estão os cubanos…) na coreia do sul há-de chegar a hora para acabar com “democracia” do bernadino soares.

  3. Concordo que desde o caso BES Mariana Mortágua ganhou visibilidade mediática mas (ainda) não é colunista residente em nenhum media.

  4. nuno diz:

    Curioso o critério. Como não ouço rádio, tenho visto/ouvido (e bem, que gosto de a ouvir) bastas mais vezes a Mariana Mortágua que Ferreira (embora este esteja tb na rtp 2).

  5. Joao Ferreira e comentador residente na Antena 1, num programa semanal.

  6. nuno diz:

    E João Ferreira? É novidade ou habitué? Ou para variar, esquecem-se sempre de falar no PCP?

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