O discurso que o primeiro-ministro pensou fazer mas não teve coragem

Passos na ajudaPortugueses,

O governo decidiu fazer esta reunião do Conselho de ministros para celebrar a “saída limpa” de Portugal do programa da troika. Esta reunião, aberta aos media, pretende também ser uma espécie de abertura oficial da campanha eleitoral. Esperamos que não levem a mal mas temos de explorar este acontecimento porque na verdade não sabemos o que irá acontecer lá mais para diante. Por isso, quero anunciar-vos que marquei já outro conselho de ministros simbólico, para dia 17, esperando que até lá não aconteça nada que faça subir os juros e estragar-nos a festa.

Como sabem, fui obrigado a enveredar por uma “saída limpa”. É claro que não foi opção minha, simplesmente,  não tinha alternativa. O chamado “programa cautelar” nunca existiu e ninguém sabe o que é. E se tivermos o azar de acontecer alguma coisa na Europa e os nossos juros voltarem a subir não há programa cautelar que nos acuda. É novo resgate, ponto final.

Para vos dizer a verdade, estou assustado, e a única coisa que me sossega é que a troika vai ficar por perto, porque o vice Paulo Portas quer voltar repôr tudo o que me deu tanto trabalho a conseguir e também à Maria Luís, justiça lhe seja feita, que me ajudou muito nos contactos internacionais (ela tem um inglês impecável!).

Por isso, caros concidadãos, não vos prometo nada. A reforma do Estado, as reposições de pensões e salários são apenas desejos e intenções mas não estão ao nosso alcance nos próximos tempos. O vice-primeiro-ministro pediu-me que o deixasse dar uns retoques naquele texto da “reforma do Estado” que escreveu há meses e nos meteu a ridículo.  Vai apresentá-lo hoje, é claro que são apenas palavras e soundbites como ele gosta de fazer mas não valem nada.

Caros concidadãos, o que interessa agora é festejar estes dias e por isso vamos acelerar a nossa estratégia de comunicação para ver se conseguimos aguentar isto até ao final da legislatura. Os nossos conselheiros dizem-nos que este tipo de eventos nos podem ajudar.  Pelo menos teremos garantidas as primeiras páginas dos jornais e aberturas de telejornais com os nossos discursos. E os nossos comentadores já têm o argumentário para dizerem na televisão. Mesmo que ponham umas pinceladas negativas, no essencial vão elogiar 

Muito obrigada pela vossa atenção e também agradeço às televisões que nos puseram em directo. E parabéns ao meu querido Moedas que esteve muito bem no seu discurso, a agradecer ao governo o trabalho que o governo lhe mandou fazer.

Bem hajam e não se esqueçam que no dia 17 há mais!

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