Likes e passarinhos na campanha eleitoral

Rangel e Nuno Melo

Rangel e Nuno Melo recorteEsta fotografia de Sérgio Azenha, publicada no Público, é um instantâneo fabuloso e mereceria figurar num concurso para a melhor legenda. Veja-se o pormenor:

Rangel parece admirado com o ar empertigado e esticado de Nuno Melo, parecendo dizer para consigo, enquanto olha para o figurão:  “este tipo está a medir-se comigo ou quê?” “será que o gajo pensa que é o número um da lista?E olhem-me para o polgar do gajo! Pensará que está no Facebook a fazerlike aos fans?

“Porque é que não arranjaram um banquinho para mim?” O melhor é eu não esticar mais o braço, para mais estas calças estão curtas e ainda fico com as meias à mostra…”

“E o Portas porque é que não estende o braço e está a olhar para o Melo”? “Não deve estar a perceber porque é que o gajo está todo esticado…”

likeEntretanto, Portas, lembrou-se de uma: “vou dizer ao Nuno que para a  próxima em vez de acenar aos fans do Facebook com os dedos a fazer 

 acene aos seguidores do Twitter com um  passarinho twitter! ehehe…isto afinal vai ser divertido!”

 

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Para quê tantas mentiras?

Pensões capa Público 20140413_Publico

Público pensões

 

 

 

A notícia é clara, “o governo português comprometeu-se a cumprir as medidas que o Secretário de Estado da Administração Pública anunciou no célebre briefing que o primeiro-ministro desmentiu repetidamente, que o vice-primeiro-ministro classificou como “erro” e que dois outros ministros desmentiram também.

Se as medidas são graves, a naturalidade com que o primeiro-ministro desmente uma medida com a qual se comprometeu é, no plano ético, ainda mais grave, porque é uma mentira deliberada, destinada a iludir os portugueses. É a forma mais grave de mentira, porque não é uma mentira involuntária nem é uma mentira em nome do interesse nacional, daquelas que em política podem ainda ser toleráveis, embora sempre lamentáveis e descredibilizadoras de quem as profere.

Impõe-se que o primeiro-ministro explique, sem delongas, ao País porque negou as notícias saídas do briefing do secretário de Estado e peça desculpa aos portugueses. E que o vice-primeiro-ministro e os ministros que o secundaram insultando os jornalistas – acusá-los de manipulação é um insulto – o façam também.

Afinal, o governo não necessitou de esperar que o grupo de trabalho apresentasse qualquer documento para se comprometer com a troika sobre o plano de pensões. Portas não sabia do compromisso?

Para quê tantas mentiras?

 

 

 

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Barroso e a construção do candidato presidencial

Barroso e Cavaco GulbenkianA sessão na Gulbenkian organizada pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, com a presença de comissários europeus e das mais altas individualidades do Estado português, foi um pseudo-evento organizado para ser coberto pelos media com o objectivo de promover a imagem de Durão Barroso como candidato presidencial.

Em teoria, o sucesso de um pseudo-evento depende  da atenção que os media lhe dedicam e da  capacidade de criar novos pseudo-eventos, através da multiplicação das  mensagens que se pretende divulgar.  Convidados mediáticos, como o Presidente da República e o primeiro-ministro garantiam neste caso a presença da imprensa e assegurariam também a de outros convidados ilustres. Comissários e ministros  compunham o enquadramento, embora remetidos a figuras  secundárias. Não cabiam nesta encenação discursos dissonantes. A oposição não podia, pois, ter lugar naquele palco.

O pseudo-evento de Durão Barroso cumpriu aparentemente esta tipologia:  páginas inteiras nos jornais em papel e nas edições online, reportagens em todas as televisões e rádios, multiplicação dos discursos, nomeadamente dos elogios feitos ao criador do pseudo-evento – Durão Barroso – por parte dos oradores principais e dos auto-elogios do próprio.

Acontece, porém, que na era das redes sociais e dos blogs, e com a proliferação de comentadores que circulam entre estes e os media tradicionais o modelo de  pseudo-evento usado para promover Durão Barroso tem os dias contados.

Mal começaram a ser divulgados excertos dos discursos dos “principais” tornou-se imediatamente evidente que o pseudo-evento se destinava pura e simplesmente a fabricar a personagem Durão Barroso, candidato presidencial.  A desconstrução da mensagem promocional de Barroso fez o seu caminho, anulando e até ridicularizando  os elogios de Cavaco e Passos. Marques Mendes não demorou a vir a terreno apontar o dedo (e faltam ainda Marcelo e outros, sem contar com os comentadores vindos da oposição).

Não sei se Passos e Cavaco colaboraram conscientemente no lançamento desta pré-candidatura presencial de Barroso. Mas, pelo menos relativamente ao primeiro, tudo leva a crer que sim. O regresso de Relvas a um lugar partidário de relevo no último congresso pode prenunciar o desejo de colocar um barrosista em posição de influenciar a escolha do candidato presidencial do partido.  E quanto a Cavaco, é de crer que prefira Barroso a Marcelo para lhe suceder.

O processo de construção da personagem presidencial de Durão Barroso está em marcha. Cavaco e Passos Coelho são já dois apoiantes comprometidos.

 

 

 

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A presidente da AR precisa de ter modos

Assunção Esteves e 25 de AbrilA maneira desajeitada e desabrida como a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, respondeu aos jornalistas sobre a possibilidade de os capitães de Abril discursarem na cerimónia do 25 de Abril,  torna-a uma figura de opereta.

Perante as perguntas dos  jornalistas sobre  essa possibilidade, Assunção Esteves,  deu uma resposta desconchavada e  com voz estridente:  “isso [o convite para falarem na sessão solene] não existe“, “o convite para virem ao Parlamento existe…só,  “não comento o que não existe“, “isso [não aceitarem se não puderem falar] é problema deles”.

Ouvido logo a seguir, Vasco Lourenço,  respondeu como um “senhor” – “vamos ver de quem é o problema”,  estranhando que a Presidente tenha comunicado a decisão aos jornalistas antes de a comunicar aos capitães. 

Não sei se a pretensão dos capitães de Abril de discursarem na cerimónia tem alguma lógica, já que seria a primeira vez que o ritual dos discursos parlamentares seria quebrado. Talvez não tenha mesmo.

Porém, haveria maneira de encontrar no programa das comemorações do Parlamento, lugar para os capitães de Abril usarem da palavra.  A não ser que a AR tenha receio de que o discurso dos capitães lhe estrague a festa.

Seja como for,  qualquer que fosse a decisão, o modo como a presidente do Parlamento a anunciou foi no mínimo pouco educado, vindo de quem ocupa o segundo lugar na hierarquia do Estado.

Foi mais um  “inconseguimento” de Assunção Esteves…

 

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Balões de ensaio na tragédia do Meco são inaceitáveis

Depois de algumas semanas sem notícias do processo sobre a tragédia do Meco, os órgãos de comunicação social começaram a noticiar que o processo “vai ser arquivado”, porque não existem provas para constituir o único sobrevivente como arguido.

Como sempre acontece em processos em segredo de justiça, como é o caso, a notícia não tem fontes. Conclui-se que por inspiração divina os jornalistas de todos os meios de comunicação social  “descobriram” que a intenção dos investigadores é arquivar o processo.

Algumas das televisões mais empenhadas na descoberta e reconstituição dos acontecimentos ocorridos naquela noite fatídica, não disfarçavam um certo desapontamento por, afinal, a investigação judicial não confirmar os dados da investigação jornalística.

Eis senão quando, surgem notícias de que afinal a coisa não era bem assim, ainda há muitas testemunhas para ouvir e ninguém falou em arquivar o processo. Começam então as audiências dos pais dos jovens desaparecidos, que se mostram confiantes de que o processo não será arquivado, prometendo ir até às últimas consequências na descoberta da verdade.

Estamos na fase de os repórteres se postarem à porta do tribunal para ouvirem as declarações dos pais das vítimas à saída das audições com o responsável do processo. Muitas horas de conversa, dizem os infatigáveis repórteres.

É lamentável que até num processo tão doloroso como a tragédia da praia do Meco, os agentes da justiça não consigam agir com transparência, divulgando o que pode e deve ser divulgado e protegendo a informação que deve ser protegida até ao momento em que puder ser divulgada.

Os balões de ensaio que estão a ser lançados, é disso que se trata, de “arquiva-não-arquiva-o-processo”, são inaceitáveis e denotam uma falta de respeito pelos familiares, pelos cidadãos em geral e pelos próprios jornalistas que aceitam este jogo pouco “limpo” de servirem de correias de transmissão de interesses e objectivos muito pouco transparentes, à espera que lhes caiba uma “migalha” dos segredos da justiça.

Os responsáveis do processo que arquivem o processo se não têm provas para uma acusação ou acusem se têm provas, ou calem-se até tomarem uma decisão. Jogos de contra-informação é que não são aceitáveis!

 

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O governo devia ter estado lá…

Prós e ContrasOntem, enquanto decorria o Prós e Contras, dedicado ao tema “Quem protege os mais frágeis?“, no twitter, como de costume, um grupo comentava o  programa. No lado do prós, estavam  uma directora-geral do do Ministério da Educação e uma alta  responsável da Segurança Social; no lado do” contras”, o pedo-psiquiatra Lobo Antunes e uma Mãe de um filho portador de deficiência. Na assistência viam-se e ouviam-se professores,  e familiares de pessoas portadoras de deficiência, para além de algumas dessas pessoas.

Desde início ficou claro o desfazamento, a insensibilidade e a quase arrogância com que a responsável da Segurança Social abordava o tema e respondia às questões colocadas pela jornalista e pela assistência. Da assistência vinham relatos pungentes e revoltantes de experiências vividas por Pais e Mães sobre os cortes  nos apoios a crianças portadoras de deficiência e sobre a burocracia a que as famílias são sujeitas pela Segurança Social – muitos papéis e poucas soluções.

Às tantas, um dos membros da assistência incomodado com a vacuidade e abstração vindas das representantes do governo comentou que a responsável da Segurança Social não estava preparada para estar ali. E tinha razão, no twitter íamos comentando isso mesmo.

Surgiu então na timeline a pergunta que se impunha: porque razão o governo não estava ali defendendo as suas políticas num tema de tão grande sensibilidade e importância?

A pergunta circulou e ninguém se lembrava de ver ministros no Prós e Contras.

Procurando nos arquivos aqui do blog encontro em 2012, Fátima Campos Ferreira a queixar-se  de que estava a ser difícil levar ministros ao programa.

Em Maio de 2013, o ministro Poiares Maduro estreia-se no Prós e Contras e em Outubro Fátima Campos Ferreira volta a dar nota de recusas do governo em participar no programa, Em Novembro seguinte tivemos  o ministro Miguel Macedo.

Recuando um pouco, voltamos a encontrar Miguel Macedo no Prós e Contras em Janeiro de 2012, e ainda mais atrás, em 2011, temos  Álvaro Santos Pereira no Prós e Contras  e em Novembro de 2011 o governo mandou ao Prós e Contras um secretário de Estado para debater o orçamento de Estado para 2012.

Se nos lelmbrarmos que quando era oposição o PSD se queixava frequentemente de haver ministros a mais no Prós e Contras, é caso para serem agora os cidadãos a queixarem-se de haver ministros a menos no Prós e Contras.

Não sei se Fátima Campos Ferreira convidou ou não o ministro da Educação ou o da Segurança Social para o debate de ontem. Mas lá que o tema não era para directores gerais ou funcionários, não era. Eram mesmo ministros que deviam estar ali. E não estiveram.

 

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José Rodrigues dos Santos não tem recuo possível no estilo “confrontacional” que escolheu para enfrentar Sócrates

Rodrigues dos Santos ofendido com José SócratesO espaço de José Sócrates na RTP1 nos dias em que contracena com José Rodrigues dos Santos entrou num beco sem saída. José Rodrigues dos Santos não tem recuo possível no estilo “confrontacional” que escolheu para enfrentar Sócrates, e este não pode, ou não deve, responder com  a ironia e a provocação de que é capaz, seja qual for a razão que lhe assiste e neste caso assiste-lhe toda a razão.

E não pode, sobretudo não deve, porque corre o risco de as suas opiniões serem remetidas para um plano secundário, passando a discutir-se a polémica com Rodrigues dos Santos – o que um diz e o outro responde – como foi o caso do programa deste domingo.

Também José Rodrigues dos Santos nada tem a ganhar como jornalista em colocar-se num plano de permanente  confronto e  evidente animosidade relativamente a um colaborador da estação, convidado por esta a comentar a actualidade política num espaço assinado, pormenor que não pode ser desprezado na discussão deste assunto.

O programa deixou pois de cumprir o objectivo para que foi criado e a responsabilidade só pode ser assacada à própria RTP. A direcção de informação vai pois ter de encontrar uma solução.

Note-se que uma consulta ao site da RTP indica-nos como a estação define o programa de José Sócrates:

A Opinião de José Sócrates

A Opinião de José Sócrates

“Um olhar único, a análise exclusiva e a opinião de José Sócrates, num espaço de comentário e análise política, conduzido semanalmente por Cristina Esteves.
Esta é “A Opinião de José Sócrates””

Apesar de Cristina Esteves ter sido arredada do programa, o anúncio ainda não foi mudado, o que, à luz dos dois programas com José Rodrigues dos Santos, talvez se compreenda. Retirar apenas o nome da jornalista, chamaria a atenção para a sua substituição. Colocar no site os nomes dos dois jornalistas que a substituíram – João Adelino Faria e José Rodrigues dos Santos – confrontaria José Rodrigues dos Santos com a matriz inicial do programa que a RTP, pelos vistos, não alterou.

Uma clarificação é pois necessária. Na condução do programa e no site da RTP.

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