o Conselho de Estado e os que lá estão

Lobo Xavier na Quadratura do Círculo (SIC-Notícias) esta quinta-feira:

“não é compatível com a presença no Conselho de Estado estar todos os dias a opinar sobre assuntos de Estado.”

“Pessoas com a sua própria agenda mediática que depois a reproduzem cá fora estão a dar cabo do Conselho de Estado.”

Quem são eles? Lobo Xavier não disse, mas parece óbvio.

Só não é óbvio para os próprios nem para o Presidente.

Num País a sério, haveria  substituições, mas isso era num País a sério…

 

Publicado em Comunicação e Política, Presidente da República | Deixe o seu comentário

O silêncio do Presidente tornou-se ensurdecedor

Cavaco Silva esteve reunido durante sete horas com os seus conselheirosDepois de tudo o que já se disse e  escreveu sobre as intervenções dos conselheiros de Estado na reunião de segunda-feira passada, em particular o facto de o Presidente não ter querido que ficasse no comunicado final, caberia ao Presidente  tomar a iniciativa de falar ao País.

Mantendo-se em silêncio, admitindo assim todas as versões sobre o que se passou, o Presidente alimenta o “ruído” mediático, a intriga e a confusão.

Os portugueses têm o direito de saber se as notícias vindas a público são verdadeiras e é ao Presidente que compete dizê-lo e explicar porque não quis que se soubesse que os conselheiros, desta vez, não apoiaram as suas posições nem as do seu governo.

O silêncio do Presidente tornou-se ensurdecedor.

Publicado em Comunicação e Política, Presidente da República, Sociologia dos Média | 3 Comentários

Conselho de Estado: encenação e opacidade

Da reunião do Conselho de Estado ficaram as imagens das entradas e das saídas dos conselheiros, os seus silêncios e sorrisos e as fugas de informação. Do que foi dito, o mais importante é o que não se sabe mas se adivinha. O  comunicado final é uma espécie de cábula para Passos levar às reuniões de Bruxelas. Talvez o Presidente quisesse dar-lhe essa cábula mas não tivesse coragem de lho dizer. Então, chamou os conselheiros e tornou-a uma cábula colectiva em forma de comunicado do Conselho de Estado.

As fugas de informação conhecidas durante o dia  dizem que “a maioria dos conselheiros discutiu eleições antecipadas“ e que “Cavaco Silva bloqueou no comunicado final qualquer referência, mesmo de teor genérico, sobre o facto de a atualidade política ter marcado parte importante da discussão”. Também se diz que Sampaio “deu um murro na mesa”, que Bagão Félix falou na taxa dos pensionistas e que Balsemão foi o que mais se aproximou do governo. Tudo isto vale, em termos substantivos, pouco mais que nada. O País ficou na mesma e o Presidente fez o seu “número”, cumprindo agenda.

Por mim, prefiro olhar para a fotografia dos conselheiros e, a partir dela, expôr sensações e especulações.
Só presidente do Governo Regional dos Açores faltou à reunião.Das intervenções dos conselheiros a única que gostaria de conhecer por me parecer a menos previsível é a do presidente do Tribunal Constitucional. Sentado quase em frente de Passos Coelho, imagino que não tenha dado opiniões jurídicas sobre, por exemplo, a taxa dos pensionistas ou a mobilidade dos funcionários públicos. Seja o que for que tenha dito, deve ter sido escutado com muita atenção.

Os conselheiros-comentadores - Marcelo, Marques Mendes, Bagão Félix, LF Meneses – devem ter recolhido material para os seus programas, pelo que é só esperar… Aliás, o que eles pensam sobre a Europa e os outros temas da agenda do Conselho pouco adianta à nossa cultura política, o que interessa neles é o que  sabem sobre a intriga partidária e os recados que passam.

Lamentável é o facto de apenas duas mulheres integrarem o Conselho de Estado, uma delas, por inerência – a Presidente da Assembleia da República. A outra, Leonor Beleza, muito alinhada, diga-se, com o Presidente. O Presidente, pelos vistos, não aprecia conselhos femininos…já tem de sobra.

A  comunicação política nos dias que correm é apenas  encenação  e opacidade. 

Publicado em Comunicação e Política, imagens, Política, Presidente da República, Sociologia dos Média | 5 Comentários

Para que servem os economistas?

para q servem os economistas Público 19 Maio 2013Economistas 4

Transcrevo o excerto porque vale a pena lê-lo e ao artigo. Na íntegra, Vem no Público deste domingo (só para assinantes) maas pode também ser lido aqui:

“A autoridade e precisão que
os jornalistas, os políticos e o
público em geral têm tendência
para atribuir ao que é dito pelos
economistas é superior àquela que
os próprios economistas deveriam
realmente aceitar. Infelizmente,
os economistas raramente são
humildes, especialmente em
público. Existe ainda outro
pormenor relativamente aos
economistas que o público
deveria conhecer: a progressão
na carreira dos economistas
académicos é feita por meio
da astúcia e não da sabedoria.
Actualmente, os professores
das melhores universidades
distinguem-se não por estarem
certos a respeito do mundo real,
mas por criarem deturpações
teóricas fantasiosas ou por
desenvolverem novas evidências.”

Publicado em Ciência, Comunicação e Política, Economia | Deixe o seu comentário

Basta de hipocrisia!

Os dirigentes do CDS continuam a desdobrar-se em entrevistas para “resgatar” Portas da embrulhada em que se meteu, que denunciei aqui.

Pires de Lima, no DN e na TSF, e Nuno Melo, no Público, tentam este domingo deitar areia para os olhos dos portugueses. A ameaça de o CDS deixar o governo e fazê-lo cair se for aplicada a chamada TSU dos pensionistas não é mais de que uma tentativa de desviar a atenção da outra medida bem mais gravosa para os pensionistas da Caixa Geral de Aposentações, como é  a “convergência” abrupta entre as reformas da CGA e da Segurança Social, que levará a cortes que representam mais do dobro da chamada TSU.

O CDS pensa que ao falar da taxa “TSU”  ninguém olha para a “convergência” e por isso faz este alarido com a ameaça de deixar o governo se ela for aplicada.

Ora, tanto insistência  na “ameaça” de abandonar o governo perante o silêncio cúmplice ou resignado do PSD,  só pode ter uma explicação:  PSD e CDS já acordaram com a troika  deixar cair a TSU dos pensionistas em troca do acordo do CDS  à aplicação  da  convergência das pensões da CGA e da Segurança Social. Essa  é a receita que interessa a Passos e a Gaspar.

Basta, pois, de hipocrisia. Era bom saber  qual  o papel do Presidente neste desonesto e despudorado jogo contra os pensionistas.

 

 

Publicado em Comunicação e Política, Governo, Presidente da República, Sociedade | Tags , | 1 Comentário

Os palpites dos conselheiros do Presidente

Conselho de EstadoJá não bastava o Conselho de Estado ser anunciado, como “notícia em primeira mão”  por um dos seus membros num programa de televisão.

Outro conselheiro, Luís Filipe Meneses antecipou, numa visita ao Bolhão,  que  ”vai levar ao Conselho de Estado” desta segunda-feira, ”um conselho”:  é “obrigação dos órgãos de soberania, do Estado e do Governo, passarem de si próprios uma ideia de estabilidade.

Marques Marques, por sua vez,  ”adivinha, no próximo Conselho de Estado, uma estratégia de Cavaco Silva para preparar o futuro relacionamento com um Governo liderado pelo PS.

Já agora, para maior “transparência” o Presidente podia abrir no seu site uma página para conselhos dos portugueses ao Presidente antes dos Conselhos de Estado. Certamente receberia muitos contributos úteis, por exemplo, sugestões para  substituir alguns dos actuais conselheiros.

É que, a avaliar pelos resultados das reuniões do Conselho de Estado já se percebeu que  o Presidente só ouve os conselhos dos conselheiros alinhados com o governo e consigo próprio.

Por exemplo, o Presidente podia discutir os ganhos e as perdas do resgate do país que ele próprio ajudou a provocar. Como material de apoio podia levar uma gravação do último programa “Quadratura do Círculo”. Lobo Xavier podia ser “convidado especial” (como o Presidente fez com Gaspar numa das últimas reuniões do Conselho).

Podia também  acabar com o habitual comunicado final a dizer coisa nenhuma, e fazer ele próprio uma declaração em vez de serem os conselheiros a dar “cachas” na televisão ou “fugas” para os jornais sobre o conteúdo da reunião.

O Presidente esclareceria assim  o povo em geral e alguns dos  seus apoiantes, em particular,  o dono do  Pingo Doce, Soares dos Santos, que em entrevista à Antena 1 se queixou de que “quando há um Conselho de Estado nós não somos informados de nada”, “não há dossiês” e os conselheiros “vão todos de mãos vazias”. Desta vez, porém, a crer nas notícias,  os conselheiros não vão de “mãos vazias”, o Presidente mandou-lhes uns estudos.

E para “castigar”  os conselheiros-comentadores que andam a dar palpites na televisão o Presidente podia fazer uma “fugas” das intervenções  deles  para o povo ficasse a saber o que eles dizem à porta fechada.

 

 

Publicado em Presidente da República, Sociologia dos Média

O “off” e o “on” e as cumplicidades entre jornalistas e políticos

Estas duas manchetes do Público falam por si, isto é, para além de se desmentirem uma à outra, dizem muito sobre as relações entre o jornalismo e a política.

16 de Maio de 2013

16 de Maio de 2013

16 de Maio de 2013

17 de Maio de 2013

“Altos responsáveis do Governo alemão”, segundo o Público, ou “una alta fuente alemana”, segundo o El País, “transmitiram a vários jornais”, pedindo anonimato, críticas à Comissão Europeia e ao seu presidente Durão Barroso, abrangendo também o BCE e o FMI, acusando Barroso de “incompetência”, “receitas erradas e de ninguém assumir as responsabilidades pelos erros dos programas de ajuda externa”.

No dia seguinte (hoje) à publicação dessas “notícias” “a chancelaria de Angela Merkel” emitiu “um esclarecimento” a elogiar os méritos de Durão Barroso, isto é o governo alemão fala sob anonimato e depois emite “esclarecimentos” a dizer o contrário.  Nada de muito novo, diga-se, da parte de “altos responsáveis” de qualquer governo. Pelo menos nisso a Alemanha não se distingue dos pigs que tanto despreza.

O que é lamentável é que jornalistas experientes e jornais de referência, como é o caso do Público e do El País, se deixem instrumentalizar por “altos responsáveis” que sob a capa do anonimato lançam “lebres” e ficam à espera de ver as reacções. O jornalista não é uma correia de transmissão de intrigas ainda que os autores dessas intrigas sejam membros de um governo tão poderoso como o alemão.

Percebe-se que os jornalistas, nomeadamente os correspondentes junto de instituições que detêm informação privilegiada, alimentem relações muito próximas com “altos responsáveis” possuidores desse tipo de informação. O problema é que não há almoços grátis e esses responsáveis “cobram” o privilégio da confiança e da proximidade que concedem a certos  jornalistas (geralmente conceituados) “usando-os” para através de anonimato atingirem objectivos pessoais ou mesmo institucionais.

Não se pode dizer, neste caso, que os jornalistas tenham sido enganados, porque tal como é mencionado  no Público e no El País, o “esclarecimento” da chancelaria de Angela Merkel não desmente o que o responsável anónimo dissera na véspera. Apenas “esclarece”.

Os jornalistas ficam, é verdade, incomodados com estas atitudes das suas fontes. Mas, em geral, e neste caso também, não as denunciam para não as perderem.

São assim as relações entre a política e o jornalismo. Cumplicidade e troca. Entretanto, os cidadãos vão perdendo a confiança no que lêem e  ouvem. A crise do jornalismo também passa por aí.

 

Publicado em Comunicação e Política, Jornalismo, Política, Sociologia dos Média, Uncategorized | Deixe o seu comentário