Passos Coelho precisa de um Relvas. Veremos quem no futuro desempenhará esse papel

Passos deve apresentar hoje em Belém remodelação minimalistaUma das facetas mais preocupantes de Passos Coelho, bem patente nas escolhas feitas para substituição de Miguel Relvas, é a sua incapacidade de constituir uma equipa competente e coerente, dotada de capacidade política e técnica, capaz de inspirar confiança aos portugueses e de levar a bom termo as tarefas da governação.

Não estão em causa  as pessoas escolhidas para substituir Relvas, aliás, insubstituível no papel de “sombra” de Passos Coelho, seu criador, amigo e protector, como aliás se gabou no discurso de demissão. Marques Guedes possui indiscutível experiência política, seria natural que a promoção a ministro lhe assegurasse a tão falada “coordenação política” do governo. Mas não foi assim.

Poiares Maduro, académico de méritos reconhecidos em assuntos europeus, porém sem experiência política conhecida, fica com a coordenação política do governo. Imagina-se um académico a coordenar e mediar as “velhas” raposas políticas do PSD e do CDS no governo e no Parlamento, não falando já da eminência parda do governo, Paulo Portas, o político por excelência.

Do mesmo modo, a entrega da tutela da RTP a Poiares Maduro levanta a questão de saber se os conhecimentos adquiridos pelo novo ministro em contacto com as questões do pluralismo e da liberdade de informação no seio da União Europeia, serão suficientes para encarar os desafios que se colocam ao serviço público depois de o seu antecessor, Relvas, o ter quase destruído. Será que a sua nomeação significa que Passos Coelho reconheceu os erros cometidos? E será que António Borges vai continuar a debitar “modelos” para a RTP?

Passos Coelho tem a fraqueza de se deixar seduzir por académicos, sobretudo estrangeirados, uma explicação que compete a  psicólogos. Foi assim com Gaspar e com Álvaro, de certa maneira também com Crato, agora com Maduro, com os resultados que se conhecem.

O facto de Passos Coelho ter, uma vez mais, enfraquecido o ministério da Economia, deixando Álvaro no lugar de ministro mas retirando-lhe competências, confirma a sua inaptidão para formar e dirigir um governo. Não percebe a importância da economia na recuperação do País mas gosta do Álvaro e dos seus livros e por isso o mantém no governo.

Relvas foi um  ministro medíocre, não por não ser licenciado, mas porque é sobretudo um homem de bastidores e de partido, não de governo. Gaspar, Álvaro, Crato e agora Poiares Maduro, são doutores ou catedráticos mas não têm peso político nem experiência de governação. São uma espécie de chancela de qualidade do  governo, úteis ao ego do primeiro-ministro.

Mas Passos Coelho precisa de um Relvas. Veremos quem no futuro desempenhará esse papel.

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Uma resposta a Passos Coelho precisa de um Relvas. Veremos quem no futuro desempenhará esse papel

  1. lidia drummond diz:

    No seu comentário, a meu ver, falta um elemento importante. Passos foi com o Gaspar a Belém, pedindo legitimidade. Recebeu-a com uma condição, despachar Relvas e substitui-lo por 2 Cavaquistas assumidos e desse acordo nasceu a nota que Cavaco emitiu: O Governo tem legitimidade- Neste momento, Passos é apenas uma peça decorativa. pois o Governo já é Presidencial e tudo será submetido por Maduro e Guedes ao Cavaco

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