Mexia e os direitos dos portugueses

Mexia e a Constituição

“nós temos de ter a noção de que temos de ter acesso ao mercado e os direitos são também aquilo que for a capacidade da economia de se fianciar”.

É sempre útil ouvir os milionários do regime dizerem o que pensam sobre o País, os direitos deles e os direitos dos outros.

António Mexia o presidente da EDP, empresa a quem o Estado paga milhões de euros em rendas, valores que são diluídos nas facturas da electricidade pagas por todos nós, acha que os direitos dos portugueses são comandados pelo “mercado” e que o Tribunal Constitucional deve ter em conta a capacidade económica dos portugueses. Não admira, pois, que questionado sobre se concorda com a afirmação do primeiro-ministro de que o problema não é a Constituição mas a interpretação que o TC faz da Constituição, tenha respondido “Sim”.

Estamos, pois, bem entregues: governo e gestores de topo fazem depender os direitos dos portugueses das agências de rating. Precisamos então de saber se o rating de Portugal nos dá direito a comer ou se já nem isso.

Já agora, façam um catálogo dos direitos dos cidadãos-sob-resgate e substituam  o Tribunal Constitucional por um comité de gestores e banqueiros para fazerem cumprir o catálogo.

Dizer que estas declarações revelam uma enorme falta de cultura democrática e desconhecimento da Declaração Universal dos Direitos do Homem que logo no seu artigo 1.º, declara: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade“,  é dizer o menos.

O que podem um povo e um País  esperar de gente assim?

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7 respostas a Mexia e os direitos dos portugueses

  1. Pingback: Economia, cultura e o mijo da burra | VAI E VEM

  2. antonio cristovao diz:

    destaco que os eleitores(unicos que podem alterar o estado que temos) devem com a ajuda de boa informaçao e blogs diversos, exigir cada vez mais transparencia das contas publicas. Que como dizia a proposito um blog : eles(eleitores)estão convencidos que o festival de musica lhes vai sair gratuito!! Claro que julgam porque só vai ter oportunidade de conferir as contas do municipio muitos meses(anos?) depois; e infelizmente muitos meios nem “gostam” de destacar factos concretos nas suas analises(não vâo os dados desdizer o que se quer transmitir).Nada é importante se não aspirarmos a ter um país bem gerido(Alemanha, Finlandia..)

  3. F Soares diz:

    Meus caros, este senhor , pelos vistos já foi reeducado ! E pelos vistos foi tão bem sucedido que já entrou na fase de querer reeducar os outros. Declarações absolutamente ridículas , quiçá obscenas !

  4. José Pires diz:

    Não deixa de ter piada ver gente que sempre esconjurou a Constituição vir agora jurar a pés juntos que o mal não está nela mas na interpretação que dela faz o Tribunal Constitucional…
    Mas adiante. Este, ao menos, vai direito ao assunto. Os outros, como Passos Coelho, que entendem que a leitura da Constituição deve ter presente a “crise” e quase se auto-suspender em razão da “crise”, esquecem-se a visão que se tem da “crise”, das suas razões e dos seus remédios, varia conforme o olhar político. Ou seja, esquecem-se que ao sustentarem a constitucionalidade da compressão de certos direitos adquiridos, designadamente na área laboral e da segurança social, legitimam, como bem sublinhou o ex-presidente do STJ, Noronha de Nascimento, a defesa da constitucionalidade da compressão de outros direitos adquiridos, como a propriedade de bens ou de empresas, que outros olhares políticos sustentariam como remédio para a “crise”. Neste aspecto, este, ao deixar as coisas nas mãos dos mercados, evita esses devaneios interpretativos.

  5. J. Madeira diz:

    Acima de tudo subvertem as questões! O problema está no des-governo que o País tem
    dado serem pouco versados no conhecimento da Constitução e, objectivamente, procu-
    ram arranjar um bode expiatório para onde lançar as culpas da sua incompetência!!!

  6. EGR diz:

    Infelizmente não pode esperar nada de bom; e ouvir o senhor Mexia falar, naquele tom “suave” que o caracteriza, causa simplesmente náusea.
    Isto, além do mais, na mesma semana em que se sabe que a sua companhia-como ele gosta de dizer-drena lucros para a Holanda com a finalidade de não pagar impostos em Portugal.

  7. jose pinheiro diz:

    direito era os gestores não ganharem 4,5 milhões por ano!
    Não são os “politicos” que ganham muito,são os capitalistas disfarçados de politicos que estão a dar cabo do país e dos portugueses.

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